A Administração Nacional de Arquivos e Registros dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (18) cerca de 10 mil páginas de documentos relacionados ao assassinato do senador Robert F. Kennedy, ocorrido em 1968. A liberação segue ordem do presidente Donald Trump, que tem defendido a transparência em investigações históricas de alto impacto político.
Entre os arquivos publicados, está uma nota manuscrita pelo atirador Sirhan Sirhan que afirma que RFK “deve ser descartado como seu irmão foi”. A mensagem aparece do lado de fora de um envelope com o endereço do diretor distrital do Internal Revenue Service em Los Angeles. Sirhan foi condenado por homicídio em primeiro grau e cumpre pena perpétua.
O assassinato ocorreu em 5 de junho de 1968, momentos após Kennedy discursar no Ambassador Hotel, em Los Angeles, celebrando a vitória nas primárias democratas da Califórnia. Ele foi atingido por três tiros na cozinha do hotel e morreu no dia seguinte, após 25 horas de internação. Sirhan alegou ter cometido o crime em resposta ao apoio de Kennedy a Israel durante a Guerra dos Seis Dias.
Os novos documentos também revelam declarações de Sirhan sobre intenções de “derrubar o atual presidente” — à época, Lyndon Johnson — e seu apoio à Rússia e à China comunistas. “Ainda não tenho planos absolutos, mas em breve os elaborarei”, escreveu o atirador.
Registros do FBI citam relatos de turistas que estiveram em Israel semanas antes do crime e disseram ter ouvido rumores de que Kennedy já havia sido baleado. Os arquivos, muitos deles mantidos por décadas em arquivos físicos sem digitalização, também tratam de especulações anteriores ao atentado, inclusive em estados como Wisconsin e Nebraska.
A liberação ocorre um mês após a divulgação de 80 mil páginas sobre o assassinato de John F. Kennedy, irmão de Robert, também por ordem de Trump. Embora os documentos não corroborem teorias da conspiração, fornecem novos detalhes sobre atividades secretas dos EUA durante a Guerra Fria.
O presidente assinou uma ordem executiva em janeiro determinando a publicação de arquivos relacionados aos assassinatos de RFK e de Martin Luther King Jr., morto dois meses antes de Kennedy. Na época, Trump declarou que a medida era necessária para “restaurar a confiança do público”.
Robert F. Kennedy Jr., filho do senador e atual secretário de Saúde no governo Trump, elogiou a decisão: “Levantar o véu sobre os documentos de RFK é um passo necessário para restaurar a confiança no governo americano”, afirmou.
Kennedy Jr. acredita que seu pai foi morto por vários atiradores e já afirmou publicamente que a CIA teve envolvimento no assassinato de seu tio, John F. Kennedy, acusação negada pela agência. As revelações reacendem debates sobre conspirações e abrem caminho para novo escrutínio público sobre os bastidores políticos da década de 1960 nos Estados Unidos.
Com informações do g1.





