Um dos alvos da operação deflagrada nesta quinta-feira (18) pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) e pela Polícia Civil para investigar a suposta atuação de agentes públicos em favor de traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), o ex-vereador Ulisses Marins (União) coleciona, nos últimos meses, passagens tão rápidas quanto discretas pelo Executivo municipal e estadual.
Antes de voltar aos holofotes por conta da investigação que também atinge o deputado estadual Val Ceasa (PRD), Ulisses chegou a ser contemplado com cargos tanto na Prefeitura do Rio quanto no Governo do Estado. Em ambos os casos, no entanto, a experiência durou pouco.
A primeira tentativa ocorreu no fim de 2025. Após não conseguir se reeleger para retornar ao velho Palácio Pedro Ernesto, Ulisses foi nomeado para o cargo de assistente na Secretaria Municipal de Fazenda ainda na gestão de Eduardo Paes (PSD).
A acomodação política, porém, não resistiu ao processo interno de análise da administração municipal. Poucos dias depois da publicação da nomeação, o ato foi tornado sem efeito após o ex-vereador não ser aprovado pela avaliação conduzida pela Secretaria Municipal de Integridade.
Na prática, a passagem pela prefeitura terminou antes mesmo de começar.
“O ex-vereador Ulisses de Almeida Marins não integra os quadros de servidores municipais. Os atos publicados no dia 10 de novembro de 2025 foram tornados sem efeito no dia 17 de novembro de 2025 pois a Prefeitura do Rio possui, desde 2021, um setor na Secretaria de Integridade que analisou e reprovou a sua nomeação”, disse a prefeitura em nota.
Dois meses no Governo do Estado
Meses depois, Ulisses ganhou uma nova oportunidade no Executivo, desta vez no então governo de Cládio Castro (PL).
Em março deste ano, ele foi nomeado para exercer o cargo de ajudante na Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A nomeação ocorreu em uma vaga decorrente de reestruturações administrativas promovidas pela pasta.
A experiência também foi breve.
Pouco mais de dois meses depois, em maio, o ex-vereador foi exonerado da função, encerrando sua passagem pela secretaria. Os motivos da exoneração não foram informados oficialmente.
Operação investiga suposta interferência em ação contra o TCP
O nome de Ulisses voltou ao centro das atenções nesta quinta-feira após ser incluído entre os alvos da operação conduzida pelo MPRJ e pela Polícia Civil.
Segundo os investigadores, os alvos teriam atuado para obter informações sobre uma operação sigilosa que previa a demolição de imóveis atribuídos ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe do TCP no Complexo de Israel.
De acordo com o Ministério Público, os investigados teriam utilizado a influência dos cargos públicos para argumentar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais. No entanto, as apurações, indicam que a justificativa apresentada não correspondia à realidade.
Em 2024, durante uma operação em um imóvel de luxo atribuído a Peixão, policiais encontraram uma placa que vinculava o espaço a um suposto projeto social associado a Ulisses Marins, à deputada federal Dani Cunha (União) e ao deputado estadual Val Ceasa. Na ocasião, os parlamentares negaram qualquer ligação com o empreendimento e afirmaram desconhecer o projeto citado.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o deputado estadual Val Ceasa, um ex-assessor parlamentar e o próprio Ulisses Marins. Os mandados de busca e apreensão são cumpridos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na Ceasa-RJ e em outros endereços localizados na capital fluminense e no Espírito Santo.
Nota da Alerj
“A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informa que acompanha a operação realizada nesta quinta-feira pelo Ministério Público. A Casa reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Alerj reitera que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense”.






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