‘Não ganha mais que R$ 1 mil, sapatão’: vídeo expõe ataque de vereador do PL a porteira

Imagens mostram Otto Alejandro fazendo ameaças; defesa diz que gravação foi editada e que vereador apenas “respondeu a ofensas”

Um vídeo de câmera de segurança expôs uma nova crise política envolvendo o vereador de Campinas Otto Alejandro (PL). As imagens, registradas em abril, mostram o parlamentar insultando e ameaçando a porteira do prédio onde mora sua namorada, Luiane Mesquita de Carvalho, que o denunciou na semana passada por violência doméstica., informa Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

Nas gravações, Otto chega ao condomínio com uma garrafa de cerveja e um homem que ele chama de “doutor”, inicia uma discussão e direciona ofensas à funcionária, que aparece visivelmente acuada.

Durante a discussão, o vereador chama a mulher de “cabelo de fogo, do capeta, sapatão”, afirma que ela “não ganha mais que R$ 1.000” e faz uma ameaça direta: “A hora que você pisar para fora, nós vamos conversar”. Segundo ele, teria ido ao local cobrar uma suposta dívida da namorada, dizendo que isso “já tinha sido feito uma vez” e que “não teria uma terceira”.

Assessoria nega e fala em vídeo editado
Procurada, a assessoria do parlamentar afirmou que o episódio é “um fato de ordem financeira” e que Otto teria sido “diversas vezes ofendido e respondeu à altura”. A equipe também declarou que o vídeo foi “editado, ficando apenas as falas do vereador”, mas a gravação mostra o início e o fim da cena. A reportagem questionou onde teria ocorrido a suposta edição, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

A divulgação das imagens ocorre poucos dias depois de Luiane registrar boletim de ocorrência contra o vereador. Ela o acusa de violência doméstica, ameaça, injúria e dano, afirmando que ele a agrediu, quebrou objetos em sua casa e a ameaçou de morte ao chamá-la de “puta”, “vadia” e “ingrata”. Otto nega as acusações, alega perseguição política e diz ser vítima na situação.

Câmara tenta votar cassação após denúncia
A pressão política cresceu após a formalização das denúncias. Nesta segunda-feira (17), a Câmara de Campinas tentou votar a abertura de um processo de cassação do mandato. A análise, porém, foi adiada para quarta-feira (19), após uma articulação do PL que esvaziou o quórum da sessão.

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