‘Não esqueçam da Juliana’, pede irmã de brasileira morta em trilha no Monte Rinjani

Corpo da vítima passou por nova necropsia nesta terça-feira (2), dessa vez no Brasil

A irmã de Juliana Marins, brasileira que morreu ao cair em um penhasco na trilha do Monte Rinjani, na Indonésia, esteve no Instituto Médico Legal, no Centro do Rio, nesta quarta-feira (2). Ela acompanhou a nova necropsia no corpo da jovem e, na saída, pediu que as pessoas não se esqueçam do caso até que as investigações sejam concluídas.

“Meu pedido, mais uma vez, é: não se esqueçam da Juliana, porque ainda tem muita coisa que a gente tem que pedir por ela. Eu acredito que ela sofreu muita negligência nesse resgate. A gente vai continuar atrás das providências”, disse Mariana Marins.

O procedimento teve início às 8h30 e durou pouco mais de 2h. Com a conclusão da necropsia, o corpo foi liberado para a família, que agora poderá realizar os trâmites funerários. A previsão é de que o laudo saia em sete dias.

“Uma coisa que a gente tinha medo era que a Juliana ficasse desaparecida. Apesar do resgate não ter acontecido em um horário contemplado para sair com vida, pelo menos a gente está com ela de volta no Brasil. Sei como é importante, muitas famílias não têm esse desfecho quando a pessoa fica desaparecida, ficam sempre na expectativa de algo. É muito bom saber que a Juliana está aqui de volta para a gente conseguir dar esse adeus digno para ela”, continuou a familiar.

Pelas redes sociais, Manoel Marins, pai de Juliana, também publicou uma homenagem à filha.

“Creio num Deus que, a exemplo de Jesus, caminha conosco, sorri conosco e chora conosco. Mas, que sobretudo, nunca nos abandona.
Isso traz paz ao meu coração, por saber que Juliana não estava sozinha naquele vulcão. Deus estava o tempo todo com ela, segurando sua mão e enxugando suas lágrimas”, escreveu.

A previsão é de que o enterro aconteça no Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, Niterói. A data ainda não foi divulgada.

Relembre o caso

Juliana é natural de Niterói, no Rio de Janeiro, e estava em um mochilão pela Ásia quando o acidente aconteceu. Ela fazia uma trilha no vulcão Rinjani, um dos pontos turísticos mais populares da Indonésia, quando caiu em um precipício, na madrugada de sábado (21), no horário local — ainda sexta-feira (20) no Brasil.

O guia que acompanhava Juliana disse que ela não foi abandonada e que somente tinha parado para descansar. Ele garante que estava há 3 minutos do local onde ela descansava e chamou a equipe de resgate assim que ouviu os gritos de socorro.

Em entrevista ao Fantástico, Manoel Marins, pai da vítima, criticou duramente a atuação do guia e contou que a filha foi deixada sozinha em um ponto da montanha enquanto ele se afastou para fumar.

“Juliana falou para o guia que estava cansada e o guia falou: ‘senta aqui, fica sentada’. E o guia nos disse que ele se afastou por 5 a 10 minutos para fumar. Para fumar! Quando voltou, não avistou mais Juliana. Isso foi por volta de 4h. Ele só a avistou novamente às 6h08, quando gravou o vídeo e o enviou ao chefe dele”, detalhou o pai.

Investigação

O guia que estava com Juliana Marins foi ouvido pela polícia de Lombok Oriental. A polícia busca entender se houve negligência ou outro elemento criminoso nas circunstâncias da morte da jovem.

Também prestaram depoimento o carregador que levava as bagagens do grupo pela trilha, um policial florestal e representantes da agência de turismo responsável pelo passeio. Outras testemunhas também estão sendo procuradas para esclarecer a cronologia do acidente.

A Embaixada do Brasil na Indonésia acompanha o caso de perto. A Defensoria Pública da União (DPU) solicitou que a Polícia Federal investigue possível omissão de socorro por parte das autoridades indonésias. Se confirmada, a hipótese pode levar o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington.

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