O voto do ministro Alexandre de Moraes, relator do julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal, foi marcado por frases de impacto, ironias e críticas diretas a Jair Bolsonaro e seus aliados. Moraes usou linguagem dura para destacar a gravidade dos atos e das provas apresentadas. A seguir, os principais trechos de seu pronunciamento:
“Isso não é uma mensagem de um delinquente do PCC”
Ao comentar trocas de mensagens entre Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, e Bolsonaro, Moraes ressaltou que não se tratava de algo banal ou criminoso comum, mas de uma articulação entre um órgão oficial e o presidente da República. Para ele, isso já demonstrava a execução do plano golpista.
“Não consigo entender como alguém pode achar normal em uma democracia…”
O ministro criticou a naturalização de planos golpistas e rejeitou a tese de Augusto Heleno de que se tratava apenas de anotações. Documentos como o “Bom Dia, Presidente” buscavam, segundo Moraes, mobilizar militares contra a Justiça Eleitoral.
“Não é conversa de bar”
Sobre discursos de Bolsonaro em atos públicos, especialmente no 7 de Setembro, Moraes destacou que não eram falas casuais, mas ataques deliberados ao STF proferidos diante da população para incitar hostilidade contra ministros da Corte.
“Fez barquinho de papel”
O ministro ironizou a defesa de Mário Fernandes, acusado de ter levado ao Palácio do Alvorada o plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa assassinatos de autoridades. Para Moraes, alegar que o documento não tinha valor é “ridicularizar a inteligência do tribunal”.
“Tentativa de retorno à colônia”
Moraes classificou a reunião de Bolsonaro com embaixadores em 2022 como um dos momentos mais graves do processo golpista, por tentar internacionalizar a narrativa contra a Justiça Eleitoral e expor o país a um “entreguismo” histórico.
“Ninguém na História viu golpista que deu certo se autocolocar no banco dos réus”
O ministro afirmou que, se a tentativa de golpe tivesse tido êxito, seriam as instituições democráticas as julgadas. A frase reforçou sua convicção de que Bolsonaro e seus aliados articularam conscientemente a trama golpista.
“Todas as vezes que atenderam ao chamado de grupos políticos, tivemos golpe”
Ao mencionar a atuação das Forças Armadas, Moraes alertou para o risco do envolvimento militar em articulações políticas, lembrando que isso sempre resultou em ditaduras ou estados de exceção.
Na conclusão de seu voto, Moraes foi categórico: “Jair Messias Bolsonaro deu sequência à estratégia golpista estruturada pela organização criminosa, sob sua liderança, para colocar em dúvida o resultado das eleições, obstruir a Justiça Eleitoral e manter seu grupo no poder, independentemente do resultado das urnas”.






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