O julgamento da ação penal da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou repercussão imediata nas redes sociais após as primeiras falas do relator, ministro Alexandre de Moraes. Durante a sessão desta terça-feira (9), Moraes utilizou ironias e comparações fortes ao analisar documentos atribuídos ao deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
“Isso não é uma mensagem de um delinquente do PCC para outro. Isso é uma mensagem do diretor da Abin para o então Presidente da República”, disse Moraes, em referência às anotações que Ramagem teria encaminhado a Jair Bolsonaro sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas.
A declaração se espalhou rapidamente no X (antigo Twitter) e foi acompanhada de outra ironia que arrancou risos no plenário da Primeira Turma. Ao se referir ao caderno com anotações golpistas, o ministro disparou: “Meu querido diário”. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) repercutiu a fala, afirmando: “Meu querido diário! Moraes foi certeiro”.
Linha do tempo da trama
Em seu voto, Moraes apresentou slides com uma linha do tempo das ações atribuídas à cúpula do governo Bolsonaro. Ele apontou que órgãos públicos, como a Abin, foram usados para monitorar adversários e estruturar ataques ao sistema eleitoral e ao Poder Judiciário.
O ministro citou episódios que, segundo ele, fazem parte da escalada golpista: a live de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas, a reunião com embaixadores estrangeiros, a manifestação de 7 de setembro de 2021 e as ações pós-eleições de 2022, incluindo a utilização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em bloqueios no dia do segundo turno.
Confronto com a defesa de Ramagem
Ao rebater os argumentos dos advogados de Ramagem, que alegaram que as anotações eram de caráter pessoal, Moraes ironizou: “O réu Ramagem confirmou a titularidade do documento em que foi localizado esse arquivo digital, salientando porém que as anotações foram só para ele, particulares, uma espécie de diário, meu querido diário”.
Para o relator, não é plausível tratar registros golpistas como simples escritos privados. Ele reforçou que o material configurava comunicação direta entre Ramagem e Bolsonaro.
Resposta às críticas
Moraes também aproveitou sua fala para responder às críticas da defesa sobre sua conduta no processo. Advogados chegaram a acusá-lo de agir como delegado durante os interrogatórios dos réus.
“O juiz ele não só pode, como deve fazer perguntas principalmente nos interrogatórios. A ideia de que o juiz deve ser uma samambaia jurídica durante o processo não tem nenhuma ligação com o sistema acusatório. Isso é uma alegação esdrúxula. Não cabe a nenhum advogado limitar o número de perguntas que o juiz deve fazer”, afirmou o ministro.
Com frases duras e imagens de impacto, Moraes abriu um voto que promete marcar a etapa mais decisiva do julgamento da trama golpista, na qual Bolsonaro e aliados respondem por crimes como tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.






Deixe um comentário