Em meio a julgamento de Bolsonaro, Embaixada dos EUA volta a ameaçar Moraes com novas sanções

Representação diplomática republicou nas redes sociais mensagem do subsecretário de Departamento do Estado, que promete ‘medidas cabíveis’

A tensão diplomática entre Brasília e Washington ganhou novo capítulo nesta terça-feira (9). Em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), a embaixada dos Estados Unidos no Brasil anunciou, em publicação nas redes sociais, que o governo norte-americano pretende adotar “novas medidas cabíveis” contra o ministro Alexandre de Moraes.

A mensagem foi publicada enquanto Moraes lê seu voto no julgamento em curso, na Primeira Turma do STF.

Segundo a embaixada, Moraes e “indivíduos cujos abusos de autoridade têm minado liberdades fundamentais” estão na mira de sanções. A manifestação reproduz declarações do subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado, Darren Beattie, alinhado ao presidente Donald Trump. A mensagem citou a data de 7 de setembro, Dia da Independência, como marco do compromisso americano de apoiar “o povo brasileiro que busca preservar os valores de liberdade e justiça”.

Coincidência com o julgamento no Supremo

O anúncio ocorre em momento sensível: Moraes é relator da ação penal que julga Bolsonaro e outros sete acusados pela tentativa de golpe de Estado. Em seu voto, o ministro afirmou que o ex-presidente liderou uma organização criminosa voltada a atacar o sistema democrático brasileiro.

Entre os pontos destacados, Moraes mencionou o uso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários políticos, a mobilização da Polícia Rodoviária Federal durante as eleições de 2022 e a série de eventos oficiais em que Bolsonaro questionou a lisura das urnas eletrônicas. O relator citou episódios como a reunião com embaixadores em 2022 e os atos de 7 de setembro de 2021, além das manifestações golpistas após o segundo turno.

Falas que repercutiram no plenário e nas redes

O voto de Moraes foi marcado por ironias que rapidamente repercutiram no plenário e nas redes sociais. Ao analisar mensagens de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, direcionadas a Bolsonaro, Moraes comparou: “Isso não é uma mensagem de um delinquente do PCC para outro. Isso é uma mensagem do diretor da Abin para o então Presidente da República.”

Outro comentário viralizado foi quando o ministro se referiu a um caderno com anotações sobre supostas fraudes eleitorais, encontrado com Ramagem. Moraes ironizou: “Meu querido diário”, arrancando risos entre os ministros presentes.

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