As mulheres que pretendem disputar eleições pelo PL enfrentarão um processo estruturado de formação antes mesmo de iniciarem suas campanhas. A iniciativa, coordenada por Michelle Bolsonaro, combina preparação pessoal, estratégia eleitoral e capacitação prática com o objetivo de ampliar a participação feminina na política dentro do partido.
O modelo também busca dialogar com eleitoras que historicamente demonstraram resistência ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Internamente, a candidatura é tratada como uma jornada eleitoral, conceito presente em materiais didáticos que orientam desde o autoconhecimento até a atuação nas urnas.
Planejamento antes da candidatura
O processo formativo começa com uma etapa de reflexão. As interessadas são incentivadas a analisar seu propósito, avaliar a viabilidade da candidatura e considerar os impactos pessoais da decisão. Entre os pontos abordados estão riscos, potenciais e os chamados “sacrifícios pessoais” envolvidos em uma campanha.
A formação inclui cursos, palestras e conteúdos voltados principalmente para mulheres em sua primeira experiência eleitoral. Um dos instrumentos utilizados é a chamada “bússola” do PL Mulher, que define a família como eixo central da atuação política, alinhada ao princípio constitucional que a reconhece como base da sociedade.
Neste ano, a estrutura contou ainda com treinamento conduzido pela estrategista internacional María Irene, que atua na formação de lideranças e já participou de campanhas eleitorais em diferentes países.
Mobilização e atuação em grupo
Outro braço do programa é o Projeto Alicerça Brasil, que organiza encontros periódicos com grupos reduzidos de participantes. As integrantes, chamadas de “alicerçadas”, seguem roteiros que incluem leitura, reflexão e planejamento de ações práticas voltadas às suas comunidades.
Ao final dos encontros, há um momento simbólico de mobilização coletiva, em que as participantes reforçam o compromisso com a atuação política e comunitária.
Estratégia, imagem e expansão política
A preparação também envolve orientações sobre comunicação, comportamento e imagem pública. Entre os conteúdos, estão recomendações sobre postura, vestimenta e uso estratégico da fala, incluindo a avaliação de que a apresentação pessoal influencia a percepção do eleitorado.
Um dos materiais utilizados é a chamada “necessaire política”, distribuída em eventos. Com formato de bolsa, ela reúne diretrizes sobre atuação institucional, organização de base e análise de políticas públicas, com ênfase no impacto sobre a família.
A iniciativa ocorre em um cenário de crescimento da participação feminina em partidos de centro e direita. Nas eleições municipais de 2024, essas siglas concentraram a maior parte das prefeitas eleitas no país. O MDB liderou com 129 mulheres eleitas, seguido por PSD, PP, União Brasil, PL e Republicanos.
Dentro do partido, nomes como as deputadas federais Caroline de Toni e Bia Kicis são apontados como potenciais candidatas ao Senado. A possibilidade de candidatura de Michelle Bolsonaro também é considerada, embora a decisão ainda não tenha sido formalizada.






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