MP junto ao TCU pede suspensão imediata dos salários de Bolsonaro e militares condenados

Subprocurador junto ao TCU aponta “paradoxo jurídico e ético” no pagamento de remunerações de até R$ 38 mil a réus do STF

O Ministério Público junto ao TCU entrou com uma representação para suspender os salários de Jair Bolsonaro e de outros militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. O pedido foi formalizado nesta sexta-feira (12) pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, que defende a adoção de medida cautelar para barrar o pagamento imediato.

Argumento de violação à moralidade administrativa

De acordo com Furtado, a manutenção das remunerações — que, segundo dados do Portal da Transparência, chegam a até R$ 38 mil mensais — fere os princípios da moralidade administrativa e da eficiência. Em sua argumentação, ele ressalta que o Estado segue financiando indivíduos que atentaram contra sua própria existência institucional e contra valores democráticos.

Condenações no Supremo

Na quinta-feira (11), a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro e outros sete réus, entre eles os generais Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira. Os crimes imputados incluem organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano ao patrimônio da União. Apesar das sentenças, os militares ainda recebem salários, já que a perda de patente e soldo depende de decisão específica do Superior Tribunal Militar em processo autônomo.

Paradoxo jurídico e ético

Para o subprocurador, a situação cria um impasse inaceitável. “O Estado continua financiando indivíduos que atentaram contra sua própria existência e contra os valores democráticos que deveria proteger”, escreveu na representação. Ele solicita que o TCU determine, em caráter cautelar, a suspensão de qualquer pagamento a todos os condenados, incluindo recursos provenientes do Fundo Partidário, até decisão definitiva da corte de contas.

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