Fazenda de SP bloqueia R$ 176 milhões ligados à Genial Investimentos em investigação sobre sonegação

Ação fiscal mira esquema bilionário de sonegação envolvendo empresas do setor de combustíveis e levanta suspeitas de lavagem e blindagem patrimonial

A Secretaria da Fazenda de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 176 milhões vinculados ao grupo Genial Investimentos em meio a uma ação cautelar fiscal que investiga um suposto esquema de sonegação envolvendo empresas do setor de combustíveis, informa a colunista Mariana Barbosa, do portal UOL. A medida integra um processo mais amplo que busca recuperar cerca de R$ 7,6 bilhões em débitos de ICMS atribuídos às empresas Áster e Copape.

As duas companhias, controladas pelos empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, conhecidos como Primo e Beto Louco, são alvos da operação Carbono Oculto, que apura a atuação de uma organização criminosa voltada à evasão fiscal e à lavagem de dinheiro.

Operação financeira sob suspeita

O bloqueio recai sobre valores relacionados a uma operação estruturada entre o grupo investigado e a Genial Investimentos. Segundo as apurações, a usina Itajobi, ligada às empresas investigadas, aplicou R$ 176 milhões em Certificados de Depósito Bancário por meio do fundo Radford, administrado pela instituição financeira.

Na sequência, parte desses recursos foi utilizada como garantia para um empréstimo concedido via Cédula de Crédito Bancário a uma empresa chamada Berna. Essa empresa, por sua vez, adquiriu cotas de um fundo imobiliário, posteriormente rebatizado como Lucerna, que anteriormente era administrado pela gestora Reag.

De acordo com a investigação, a estrutura teria sido utilizada para viabilizar a aquisição de ativos imobiliários por meio de recursos do próprio grupo, levantando suspeitas de uma operação destinada à ocultação e blindagem patrimonial.

Imóveis e garantias cruzadas

A empresa Berna detém cerca de 20 imóveis avaliados em mais de R$ 200 milhões, incluindo terrenos em regiões como Tremembé e Vila Guilherme, na zona norte de São Paulo, além de postos de combustíveis.

Registros em cartório indicam que esses bens foram alienados fiduciariamente à Genial como garantia do empréstimo, mesmo já existindo a vinculação com os CDBs que foram posteriormente bloqueados.

Para os investigadores, o encadeamento dessas operações pode indicar a utilização de mecanismos financeiros complexos para dificultar o rastreamento de recursos e proteger o patrimônio dos envolvidos.

Tentativa de reversão e decisão judicial

Na noite de 28 de agosto de 2025, data em que foi deflagrada a operação Carbono Oculto, a Genial tentou desfazer as operações financeiras sob análise, alegando que a decisão havia sido tomada anteriormente.

No entanto, conforme consta nos autos, a Procuradoria considerou a iniciativa uma “fraude à ordem de execução” e manteve o bloqueio dos valores. O recurso apresentado pela instituição foi rejeitado, com decisão final proferida em 9 de janeiro.

Posicionamento da instituição

Em nota, a Genial Investimentos afirmou atuar “em estrita conformidade com as normas do mercado financeiro, pautando suas atividades por elevados padrões de governança, transparência e controles internos”.

A instituição acrescentou que “as medidas judiciais mencionadas referem-se a processo em curso envolvendo fundo sob administração do banco. A atuação como administradora fiduciária foi conduzida em conformidade com a regulamentação aplicável e com os deveres inerentes a essa função”.

Sobre a operação Carbono Oculto, o banco afirmou não ser alvo direto da investigação, mas destacou que tem “colaborado com as autoridades desde que tomou conhecimento dos fatos”.

Relações e expansão de negócios

A ligação entre os empresários investigados e a Genial teria sido intermediada por Humberto Tupinambá, diretor da instituição. Segundo informações, ele teria atuado na transferência de ativos e na aproximação dos clientes com o banco, após o rompimento dos empresários com a gestora Reag.

Antes disso, a Reag era utilizada pelos donos da Copape e da Áster como principal plataforma de gestão de investimentos.

Paralelamente, a Genial tem ampliado sua atuação no mercado de crédito consignado, inclusive com a criação do produto Genial Consig e expansão para novos estados, após assumir espaço anteriormente ocupado por outras instituições.

Fundos sob investigação

Outro ponto que chama a atenção das autoridades é a existência de um fundo administrado pela Genial, identificado como Viena, descrito pelos investigadores como um “fundo caixa-preta”. Esse fundo investe em outro, chamado Bariloche, que possui participação em uma empresa ligada à operação de aeronaves executivas.

A empresa possui aeronaves executivas operadas pela Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), que também é citada nas investigações por supostas conexões com os proprietários da Copape e com o PCC. Com base no depoimento de um piloto da TAP, os investigadores analisam ainda uma possível relação dessas aeronaves com o presidente do União Brasil, Antonio Rueda. Em nota enviada ao UOL à época, o político negou qualquer vínculo com a Bariloche ou com o fundo Viena.

O caso segue sob análise das autoridades, com desdobramentos que podem atingir diferentes setores e aprofundar o escrutínio sobre operações financeiras utilizadas em esquemas de evasão fiscal.

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