O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou a líderes partidários que pretende barrar o avanço do projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado, considerado pela equipe econômica uma potencial “pauta-bomba” devido ao elevado impacto fiscal.
Durante almoço com lideranças partidárias nesta terça-feira (30), Motta indicou que a proposta aprovada pelos senadores não deverá ser pautada pela Câmara, informa O Globo. Segundo relatos de parlamentares presentes, houve consenso entre os líderes sobre a necessidade de conter medidas com forte impacto sobre as contas públicas.
Governo prepara proposta alternativa
A expectativa é que Hugo Motta se reúna nesta quarta-feira (1º) com integrantes do Ministério da Fazenda para discutir uma alternativa ao texto aprovado pelo Senado. A equipe econômica trabalha na elaboração de uma medida provisória que estabeleça critérios mais restritivos para a renegociação das dívidas rurais.
Após receber a proposta do governo, o presidente da Câmara deverá abrir diálogo com representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), considerada uma das bancadas mais influentes do Congresso Nacional.
Plano Safra e negociações em andamento
Mais cedo, Motta participou da cerimônia de lançamento do Plano Safra 2025/2026, realizada no Palácio do Planalto, que prevê cerca de R$ 610 bilhões em recursos para o setor agropecuário. Durante o evento, o ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que as negociações sobre o endividamento rural continuam avançando.
Segundo o ministro, o governo federal pretende apresentar, em breve, uma alternativa capaz de atender produtores em dificuldades financeiras sem comprometer o equilíbrio fiscal. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, também confirmou que uma nova proposta deverá ser apresentada nos próximos dias.
Impacto fiscal preocupa equipe econômica
O projeto aprovado pelo Senado em 10 de junho contrariou os apelos da equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cálculos do Ministério da Fazenda apontam que a medida pode gerar impacto de aproximadamente R$ 140 bilhões nas contas públicas ao longo dos próximos dez anos.
A estratégia do governo é restringir o acesso aos programas de renegociação a produtores efetivamente atingidos por eventos climáticos extremos ou crises econômicas, evitando a ampliação indiscriminada dos benefícios. Nos bastidores, o Palácio do Planalto aposta na articulação de Hugo Motta para conter propostas de elevado custo fiscal que avançaram no Senado.






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