A manhã está sendo de caos para os cariocas. Os rodoviários decidiram entrar em greve a partir de zero hora desta terça-feira. O movimento paralisou a circulação nos corredores do BRT, mas os ônibus regulares circulam com cerca de 60% da frota na cidade.
A categoria pede melhorias salariais e das condições de trabalho. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região, porém, concedeu liminar declarando a paralisação dos rodoviários ilegal e marcou audiência de conciliação para segunda-feira, dia 4 de abril.
A desembargadora Edith Maria Correa Tourinho, que é presidente do TRT, concedeu uma liminar ao RioÔnibus determinando que o sindicato dos rodoviários não entre em greve e siga suas atividades normalmente sob pena de multa diária no valor de R$ 200 mil.
Atualmente, quase 19 mil rodoviários no município do Rio transportam diariamente três milhões de pessoas.
O presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio (Sintraturb/RJ), Sebastião José da Silva, afirmou que de acordo com relatos dos profissionais da categoria que estão nas garagens, as empresas estão ligando e indo buscar em casa os motoristas.
Segundo ele, alguns motoristas estão sofrendo ameaças para saírem com os ônibus das garagens sob pena de sofrerem punições e até demissão.
“As empresas estão usando a liminar como forma de impor o retorno dos profissionais, porém o sindicato ainda não foi comunicado oficialmente da liminar.
O martelo foi batido, na noite desta segunda-feira, durante assembleia da categoria na sede social do sindicato, em Rocha Miranda, na Zona Norte. De acordo com o Sintraturb/RJ, apenas cerca de 450 motoristas e cobradores decidiram pela greve.
“Como já era esperado, os empresários não ofereceram nenhuma proposta para reajustar os salários e demais benefícios. Ficaremos em estado de greve (apenas o sindicato) caso alguma proposta seja apresentada; para isso convocamos nova assembleia para amanhã (terça-feira) às 14h, aqui em Rocha Miranda caso isso ocorra”, explicou o presidente do Sintraturb/RJ.
Durante audiência, no Ministério Público do Trabalho (MPT), de acordo com Silva, a proposta inicial feita pelos empresários foi a de suspender a paralisação por setenta dias. No entanto, o MPT considerou o prazo longo demais e sugeriu que a categoria aguardasse até a próxima segunda-feira.
Ainda conforme o sindicalista, os trabalhadores estão há mais de três anos sem reajustes de salário, tickets ou cesta básica.
“Em todos esses anos como sindicalista jamais presenciei um quadro tão tenebroso no transporte público como agora”, lamentou Silva.
Por meio de nota, o Rio Ônibus, sindicato das empresas de ônibus da Cidade do Rio, informou que repudia o movimento grevista. O sindicato disse ainda que pede que os profissionais não façam adesão à paralisação e retomem seus postos de trabalho. Veja a nota na íntegra:
“O Rio Ônibus repudia o movimento grevista, que prejudicará toda a sociedade carioca. A ação, que tentou ser impedida pelo Rio Ônibus por liminar judicial, não resolve o problema da classe, e agrava a atual crise de mobilidade na cidade do Rio. Mesmo em meio às dificuldades financeiras já conhecidas pela população, as empresas têm priorizado o pagamento dos rodoviários e a manutenção de seus empregos. O reajuste de salários depende de ações externas, já que três dos quatro consórcios se encontram em Recuperação Judicial. O Rio Ônibus pede que os profissionais não façam adesão à paralisação e retomem seus postos de trabalho, atendendo a população, até que haja resultados dos diálogos mantidos com a Prefeitura, na busca por soluções para o setor”.






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