A greve de rodoviários das viações Palmares e Pégaso, que começou na manhã de terça-feira (23), teve uma retomada parcial nesta quarta-feira (24), com ônibus voltando gradualmente às ruas da Zona Oeste do Rio. A paralisação afetou mais de 20 linhas em bairros como Campo Grande, Santa Cruz, Sepetiba, Paciência, Cosmos e Inhoaíba.
De acordo com a direção do Sindicato dos Rodoviários, os coletivos começaram a sair da garagem em Cosmos ainda pela manhã, antes mesmo de todos os pagamentos pendentes serem realizados. A categoria reivindica o pagamento de salários atrasados, ticket alimentação, férias e fundo de garantia (FGTS).
O ticket alimentação, principal reivindicação da paralisação, segue em atraso, mas os motoristas decidiram retornar às atividades para não prejudicar os passageiros. Para evitar desconto nos contracheques, os rodoviários assinaram uma guia de dispensa referente ao dia parado.
Crise no setor
As duas empresas, que pertencem ao mesmo grupo, somam cerca de 600 trabalhadores entre motoristas, fiscais, mecânicos e funcionários administrativos. Juntas, operam 26 linhas na região. Esta é a segunda paralisação da Palmares em menos de um mês — a anterior ocorreu no último dia 11, também por descumprimento de acordos trabalhistas.
A Rio Ônibus afirmou que a greve foi motivada por atraso na cesta básica e atribuiu o problema ao descumprimento de um acordo judicial pela Prefeitura do Rio. Já a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) sustenta que os repasses aos consórcios estão em dia e que o consórcio Santa Cruz, responsável pelas empresas, foi o único a receber complemento previsto em decisão judicial. A pasta acusa as concessionárias de tentarem transferir suas responsabilidades trabalhistas ao poder público.
Nos últimos 30 dias, motoristas de outras empresas também paralisaram atividades — casos da Real, Vila Isabel e Três Amigos —, sempre com atrasos de salários e benefícios como estopim. O sindicato diz que o quadro reflete o agravamento da crise no setor de transporte por ônibus no Rio.
“Infelizmente essa situação já vinha sendo esperada pelo sindicato, já que as empresas não estão cumprindo o acordo assinado no dissídio da categoria, e infelizmente quem acaba pagando a conta são os usuários”, afirmou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, no dia da paralisação.






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