O Morro do Chapadão, em Costa Barros, favela em meio a uma guerra entre facções rivais na Zona Norte do Rio, amanheceu nesta terça-feira (21) com tiroteios e barricadas pelas ruas em meio a uma operação policial.
Os confrontos ocorrem desde o dia anterior, quando um pastor evangélico foi morto em meio a uma ação policial. A violência na região atingiu até mesmo as unidades de saúde. Fechada há três semanas após uma invasão de criminosos, a UPA Costa Barros não tem previsão para reabertura.
Além do Morro do Chapadão, também há operações policiais no Complexo de Manguinhos. Agentes do Bope, a tropa de elite da PM, ocupam neste momento as comunidades do Arará e Mandela, com apoio da Subsecretaria de Inteligência (SSI).
A violência em ações policiais tem se intensificado nas últimas horas no Morro do Chapadão. Nesta segunda-feira, o pastor evangélico Eduardo Oliveira dos Santos, 45, foi baleado nas costas quando estava em uma bicicleta. Ele foi levado a uma UPA na região, mas não resistiu. “Só quem sofre é o inocente, só quem sofre é o morador. A gente pede justiça, a gente pede paz”, disse Marcus Vinicius, sobrinho da vítima.

De acordo com a Polícia Militar, a ação no Chapadão tinha como objetivo remover barricadas instaladas por criminosos.
Segundo o sobrinho do pastor, os agentes não prestaram ajuda ao tio ferido. “Eu gritei: ‘É baleado! É morador baleado!’”, contou. “A bala comendo, e ele baleado no chão. Deu uma trégua, a gente conseguiu pegar ele e botar dentro do carro. Mas foi tarde demais” relatou.
Horas após o crime, moradores da região protestaram na Avenida Chrisóstomo Pimentel de Oliveira, conhecida como Rio do Pau, que liga Anchieta à Pavuna. A manifestação bloqueou o trânsito e obrigou o desvio de linhas de ônibus. Os participantes exigiram esclarecimentos sobre de onde partiu o tiro que matou o pastor.
Durante a tarde, criminosos ainda roubaram as chaves de três ônibus que trafegavam pela Estrada Rio do Pau. Segundo a PM, a operação resultou na prisão de um homem foragido da Justiça, encaminhado à 39ª DP (Pavuna).
A corporação foi questionada sobre a denúncia de omissão de socorro, mas ainda não respondeu.






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