Educação inclusiva avança no acesso, mas enfrenta falhas estruturais

Audiência na Alerj destaca que maioria dos alunos está na escola, mas sem suporte adequado

Apesar do alto número de matrículas de alunos com deficiência na rede regular de ensino, especialistas e parlamentares apontam que a inclusão ainda enfrenta falhas estruturais que comprometem o aprendizado e a permanência desses estudantes nas escolas. O tema foi discutido nesta quinta-feira (30), em audiência pública da Comissão da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

O debate tratou da aplicação das diretrizes previstas no Decreto Federal nº 12.773/2025, que propõe ajustes na política nacional de educação especial inclusiva. Durante a reunião, participantes destacaram que o acesso à escola não tem sido acompanhado, na mesma proporção, por condições adequadas de ensino.

Desafios estruturais

Entre os principais pontos levantados estão dificuldades na implementação de instrumentos como o Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE) e o Plano Educacional Individualizado (PEI), além da falta de formação adequada para profissionais da educação e ausência de padronização entre redes de ensino.

A coordenadora do Projeto TEA, Flávia Marçal, destacou que os dados atuais mostram avanço no acesso, mas não garantem inclusão plena. “94% das pessoas com deficiência estão matriculadas em escolas comuns, isso representa apenas o acesso, sem assegurar a permanência e condições reais de aprendizagem”, afirmou.

Planejamento individual

Representantes da sociedade civil também ressaltaram a necessidade de políticas mais adaptadas às demandas de cada estudante. Juliete Cordeiro, do Movimento do Orgulho Autista do Brasil, defendeu a importância de um olhar individualizado.

“Não basta pensar apenas na estrutura ou em um planejamento genérico. É preciso entender o que cada criança precisa, considerar sua síndrome, transtorno ou comorbidades, porque não há como aplicar uma única estratégia para tantas crianças com condições e necessidades diferentes”, disse.

Atuação do poder público

O presidente da comissão, deputado Fred Pacheco (PL), afirmou que a escola tem papel central na inclusão social e no desenvolvimento de pessoas com deficiência. Segundo ele, é necessário enfrentar as limitações ainda existentes para garantir resultados efetivos.

“A escola passa a ser um suporte necessário na vida dessas pessoas, porque é nesse espaço que se constrói acolhimento, oportunidade e um futuro mais digno por meio de uma educação tratada com seriedade, responsabilidade e compromisso”, declarou.

O deputado Marcelo Dino (PL) reforçou que a implementação das políticas públicas precisa avançar além da legislação. “Não basta garantir o direito no papel. Precisamos assegurar que a educação especial inclusiva aconteça com qualidade, organização, profissionais capacitados e mecanismos reais de acompanhamento”, afirmou.

Perspectivas para a política pública

Para Quézia Queiroz, vice-presidente da Associação Brasileira de Autismo, o avanço das políticas depende da articulação entre o poder público e a sociedade. “É assim que a gente avança: quando o Legislativo nos escuta, olha para as demandas da sociedade, transforma isso em pauta e cumpre seu papel de representação”, disse.

A audiência evidenciou que, embora o acesso à educação tenha ampliado, ainda há desafios para garantir inclusão com qualidade e condições adequadas de aprendizagem para alunos com deficiência.

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