Morreu nesta terça-feira (9), aos 84 anos, Eva Lourdes Santana Amóra, diretora do Jornal A Tribuna e figura de destaque na educação e na imprensa fluminense. Ela estava internada no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN) e faleceu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. O velório e sepultamento serão realizados no cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, também em Niterói.
Nascida em Carmo, no interior do Rio de Janeiro, em 11 de fevereiro de 1941, Eva foi registrada em Niterói e construiu sua trajetória entre a educação e o jornalismo. Licenciada em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), também lecionou Organização Social e Política Brasileira e Estudos Sociais em instituições como o Liceu Nilo Peçanha e o Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho. Durante décadas, marcou gerações de alunos, sendo homenageada como a professora mais longeva do Liceu.
Em 1967, antes mesmo de se casar com o jornalista Jourdan Amóra, fundador do Jornal A Tribuna, Eva tornou-se sócia da publicação. Participou também do lançamento do Jornal de Icaraí, em 1972, e permaneceu ativa na vida jornalística ao lado do marido, com quem foi casada por mais de 50 anos. O casal teve dois filhos, Gustavo e Luis Jourdan Amóra, hoje responsáveis pela condução do jornal.
Reconhecida como uma mulher à frente de seu tempo, Eva não se limitou à sala de aula. Atuou em congressos de imprensa no Brasil e no exterior, participou de associações de jornais do interior e foi referência na luta pela democratização da comunicação. Seu comprometimento era tanto que, em momentos de crise, chegou a usar o salário de professora para garantir a sobrevivência dos jornais da família.
Descrita pelos filhos como um verdadeiro pilar da família e do Jornal A Tribuna, sua dedicação à educação e ao jornalismo foi acompanhada de intensa atuação social e comunitária, sempre com ênfase na honestidade, no companheirismo e na devoção à família e ao trabalho.
A morte de Eva Amóra representa não apenas a despedida de uma educadora e dirigente de imprensa, mas também o fim de um ciclo marcado por perseverança, luta e amor ao próximo. Sua história segue viva no legado transmitido aos filhos, nos jornais que ajudou a consolidar e na memória de milhares de alunos e leitores que foram impactados por sua atuação.
Eu um texto de despedida emocionado, publicado em A Tribuna, o filho Luis Jourdan Amóra descreveu Eva (ou simplesmente Dona Eva, para aqueles que como eu tiveram o prazer de conviver com ela) como uma guerreira ao longo da vida, superando obstáculos como a ditatura e problemas graves de saúde, mas sem jamais desistir.
Não há adeus, sim, há Deus
Senhor, como agradecer? Pensei em escrever como editorial de A TRIBUNA, mas as lágrimas impõem um sentimento de filho. Lembro-me agora, quando meu pai me contou o momento em que teve que noticiar a morte de sua querida mãe. A história se repete. Infelizmente, a data tão temida chegou.
Senhor, obrigado. É pouco! Muito obrigado. Não vivi uma experiência de filho, vivi um testemunho de dignidade, de paixão, de amor, de persistência, de luta, de companheirismo, de garra, de suor. Mas, principalmente de devoção. Eva não foi uma simples mãe. Ela foi A MÃE! E de muitos. Não só minha, de Gustavo e de Jacqueline. Mas, de muitos de seus alunos, de seus colegas, de seus irmãos e de seus pais.

Mas não tenho palavras para descrever o que ela foi para nós e para meu pai. Dizem que atrás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher. Tá explicado. Pilar de nossa família, se dedicou a anos de luta amparando o idealismo de meu pai, por um país mais justo, mais democrático. Professora de História, OSPB (Organização Social e Política Brasileira) e Moral e Cívica, implantou aos seus alunos, o respeito às instituições educacionais por onde passou, como o Liceu Nilo Peçanha e o IEPIC (Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho), em São Domingos, bairro onde morou para atender à vida corrida entre ser mãe, filha, professora e lutadora de A Tribuna e Jornal de Icaraí.
Nos tempos difíceis, não se importou em ajudar também financeiramente os jornais a que se dedicou, com seu salário de professora para honrar os compromissos da empresa. Embarcou também no sonho de meu pai, em desenvolver a imprensa do interior, através de ADJORI-RJ e ABRAJORI, viajou pelo país em Congressos de Jornais, sempre nos levando e nos ensinando, afinal era professora do trabalho e da vida também. Sempre zelosa com a família, sempre onde estivesse, ligava para saber dos seus pais, que são vitoriosos como ela.
Saíram do zero, no interior do Rio, na cidade do Carmo, onde minha mãe nasceu, filha de lavradores, que vitoriosamente fizeram sua filha Eva, professora e seus filhos Alédio, oficial de Justiça, e Adão, contador. Com a vida aguerrida, nos mostrou que a fraqueza é para os fracos. Uma fortaleza de mulher, que por anos lutou pela vida, enfrentando doenças e as vencendo com a ajuda de seus médicos e de sua fé católica em Jesus Cristo e em Nossa Senhora de Fátima.
Com esta guerreira, aprendi tudo. Mas, nos últimos anos, aprendi e vivi algo que poucos são capazes de receber: milagres pela recuperação de sua saúde. Desafiou a medicina, desafiou a ditadura e mostrou ser uma fortaleza em busca da vida, que não desiste nunca! Só que a vida não acaba aqui, onde gladiou e venceu sempre. A sua passagem, parece que foi na hora certa. Quando Deus permitiu. Nos deu o milagre de podermos nos despedir após uma “quase morte”, no sábado 06/09, quando bateu na porta do céu e pediu para voltar, para mais uma despedida e, com a certeza, de nos encontrarmos em breve.
Por aqui, vamos seguir com seus exemplos de bondade, de honestidade, de luta, de dedicação e amor ao próximo. Mas, acima de tudo, cuidaremos uns dos outros, como prometi-lhe em seu leito de morte. A ressureição chegou. Vá segurando nas mãos de Deus encontrar nossos queridos familiares e amigos que já se foram. Um dia, tenho a certeza de que nos encontraremos. Não vou chegar chorando como estou agora. Mas, sorrindo como devemos levar a vida, com o entendimento de que tudo tem um limite.
Menos para Deus. E Ele agora, a quer ao seu lado e nós aqui continuaremos rezando por você e por ele, pela graça, pelo orgulho e honra de ser seu filho.
Beijos minha mãezinha. Você, tenho mais que certeza de que está com Deus.
Luis Jourdan Amóra, em nome de Gustavo Amóra, Jourdan Amóra e Ana Luiza Amóra






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