O jornalista, radialista e escritor Luiz Antonio Mello, conhecido como LAM, faleceu nesta quarta-feira (30), aos 70 anos, em Niterói. Segundo informações do jornal A Tribuna, onde atuava como editor desde 2021, LAM sofreu uma parada cardíaca enquanto realizava um exame de ressonância magnética no Hospital Icaraí. Ele se recuperava de uma pancreatite.
Nascido em Niterói, LAM iniciou sua trajetória profissional em 1971 no Jornal de Icaraí e, no ano seguinte, ingressou na Rádio Federal. Ao longo de sua carreira, passou por veículos como Rádio Tupi, Rádio Jornal do Brasil e Última Hora. Em 1981, foi o idealizador da Rádio Fluminense FM, apelidada de “Maldita”, que se tornou um marco na história da comunicação brasileira ao revelar grandes nomes do rock nacional dos anos 1980 e profissionais da imprensa.
“Um dia, eu e o Samuca (Samuel Weiner, já falecido) fomos levar um programa chamado ‘Rock Alive’. Chegando lá, falamos com o superintendente do Grupo Fluminense, que era o Ephrem Amora, e ele disse que o negócio dele era mais jornal, não rádio. Nós saímos de lá cabisbaixos, achando que não ia dar certo. No dia seguinte, ele deixou um recado na secretária eletrônica do Samuca, dizendo que queria falar conosco. Chegando lá, ele perguntou se, em vez de um programa, não queríamos montar a rádio inteira. Eu fiquei em uma euforia”, relembrou LAM em entrevista ao A Tribuna.
Passagens também pela Globo FM e Polygram
Após deixar a Fluminense FM em 1985, LAM participou da implantação da Globo FM e atuou como consultor de marketing avançado da gravadora Polygram, sendo responsável por campanhas de lançamento de álbuns de artistas como Dire Straits, Tears for Fears, Jimi Hendrix, Supertramp, Janet Jackson e Eric Clapton. Também foi responsável pelo lançamento da gravadora Windham Hill Records no Brasil e do projeto “Música dos Anos 1990” da Warner Music.
Na televisão, trabalhou na Rede Manchete como diretor do programa Domingo Especial e redator-chefe do programa Shock, dirigindo aproximadamente 200 musicais internacionais para a emissora. Como produtor musical, colaborou em discos de Celso Blues Boy e Antônio Quintella, além de coletâneas do The Who e Jimi Hendrix.
LAM também foi presidente da Fundação Niteroiense de Arte (Funiarte) em 1989 e colunista de veículos como O Pasquim, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Jornal Opinião e Folha de Niterói. Em 2005, integrou a equipe fundadora da BandNews FM no Rio de Janeiro e criou a rádio online Rádio LAM.
Trajetória contada no filme Aumenta que é Rock’n Roll
Autor de livros como Nichteroy, Essa Doida Balzaca (1988), A Onda Maldita (1992), Torpedos de Itaipu (1995), Manual de Sobrevivência na Selva do Jornalismo (1996), Jornalismo na Prática (2006) e 5 e 15, Romance Atonal Beta (2006), LAM teve sua trajetória retratada no filme Aumenta que é Rock’n Roll, dirigido por Tomás Portella. O longa narra a criação da primeira rádio de rock brasileira e sua influência na programação musical do país.
O cantor Lobão, amigo próximo de LAM, prestou homenagem nas redes sociais: “Luiz Antonio Mello, meu amado amigo, irmão e herói nos deixou hoje. Com ele encerra-se uma era de ouro do Rock. Vai com Deus, meu irmão querido”.





