O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a prisão preventiva do general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e ex-candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. A decisão, publicada nesta quarta-feira (6), rejeita mais um pedido de liberdade apresentado pela defesa do militar.
Braga Netto está preso desde dezembro de 2024, no contexto das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado que teria sido articulada por integrantes do alto escalão do governo anterior. De acordo com Moraes, há indícios de que o general tentou interferir nas apurações, o que justifica a manutenção da medida cautelar extrema.
Segundo o STF, a manutenção da prisão é necessária para garantir a ordem pública e preservar a integridade da investigação. Moraes argumenta que a soltura de Braga Netto poderia comprometer o andamento do processo, dada a gravidade das acusações e o potencial de influência do acusado sobre testemunhas e demais envolvidos.
Réu por tentativa de golpe
Braga Netto se tornou réu no Supremo em abril deste ano, após a Procuradoria-Geral da República apresentar denúncia contra ele e outros ex-integrantes do governo Bolsonaro, incluindo o próprio ex-presidente. O grupo é acusado de planejar um golpe para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, por meio da disseminação de mentiras sobre o sistema eleitoral, tentativa de cooptação de militares e elaboração de minutas de decretos que poderiam anular o resultado das eleições de 2022.
Na denúncia, a PGR apontou que o general teve papel central na articulação do plano golpista, usando sua posição e prestígio nas Forças Armadas para tentar obter apoio militar ao movimento. A defesa de Braga Netto nega as acusações e alega perseguição política, mas ainda não conseguiu reverter a prisão no Supremo.
Outros investigados seguem em prisão preventiva
Além de Braga Netto, outros aliados de Bolsonaro permanecem presos ou em prisão domiciliar, como é o caso do próprio ex-presidente. A expectativa é de que o julgamento do caso ocorra em 2026, mas até lá o STF tem reiterado a necessidade de manter os investigados sob medidas cautelares rigorosas.
Nos bastidores do Supremo, ministros avaliam que não há qualquer mudança no cenário jurídico que justifique a concessão de liberdade ao general neste momento. A Corte também acompanha atentamente as movimentações da defesa de Bolsonaro, que, segundo fontes do tribunal, ainda não apresentou recurso contra a decisão que o manteve em prisão domiciliar.
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