O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, elogiou publicamente a recondução de Paulo Gonet ao cargo de procurador-geral da República, aprovada pelo Senado na quarta-feira. Moraes ressaltou o desempenho de Gonet no primeiro mandato e a importância de manter a agenda de enfrentamento ao crime organizado como prioridade.
O ministro afirmou que o procurador-geral “cumpriu o prometido com dedicação e humildade” e lembrou que o combate às facções já foi definido como foco central no Conselho Nacional do Ministério Público. Para ele, a recondução representa um ganho “para a justiça, para o Ministério Público e para a sociedade”.
Combate ao crime organizado exige articulação, diz Moraes
Fachin está em Belém para compromissos ligados à COP30, e Moraes assumiu nesta quinta-feira a presidência da sessão plenária do STF. O ministro ressaltou também que os próximos anos exigirão articulação entre os órgãos de controle para responder ao avanço das organizações criminosas no país.
No Senado, Gonet enfrentou um clima mais dividido do que em 2023, quando conquistara o primeiro mandato com ampla margem de votos. Agora, foi aprovado no plenário por 45 votos a 26, depois de receber 17 votos favoráveis e 10 contrários na Comissão de Constituição e Justiça. Há dois anos, sua indicação havia obtido 65 votos favoráveis e apenas 11 contrários.
Desgaste do PGR com parte dos parlamentares
O desgaste entre o PGR e a ala bolsonarista foi apontado por parlamentares como um dos motivos para a redução do apoio. A relação se deteriorou especialmente após o avanço da ação penal que apura a trama golpista de 8 de janeiro, na qual o ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.
Durante a sabatina, Gonet defendeu sua atuação no caso e negou qualquer precipitação nas decisões da PGR. Afirmou que o órgão “não faz denúncias precipitadas” e que só solicita medidas restritivas após “exame apropriado” dos autos. Ele também reiterou que o Ministério Público deve agir sempre que houver indícios de crime, mas sem interferir indevidamente em outros Poderes. “O órgão não deve criminalizar a política”, afirmou aos senadores.
A recondução de Gonet consolida sua posição na chefia da PGR para conduzir investigações sensíveis e fortalecer a estratégia nacional de enfrentamento ao crime organizado — pauta que, segundo Moraes, será determinante para a próxima fase da atuação conjunta entre STF, Ministério Público e demais órgãos de segurança.






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