Moraes acusa núcleo militar da trama golpista de formar milícia digital organizada

Supremo julga sete acusados de integrar estrutura que teria sustentado ataques virtuais e tentado manter Bolsonaro no poder após derrota em 2022

Ao divulgar seu voto no julgamento deste terça no Supremo Tribunal Federal (STF), que envolve o chamado “núcleo 4” da trama golpista, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que os réus “propagaram sistematicamente notícias falsas sobre o processo eleitoral e realizaram ataques virtuais a instituições e autoridades que ameaçavam os interesses da organização criminosa”.

O núcleo em julgamento é formado por seis militares e um civil acusados de integrar uma estrutura digital e operacional voltada a manter Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022, vencidas por Lula.

Moraes afirmou ainda que os elementos reunidos pelo Ministério Público indicam “indícios robustos e coerentes da tentativa de corroer a confiança nas instituições democráticas e abrir caminho para um golpe”. O ministro classificou o grupo como uma “milícia digital organizada” com atuação coordenada para desestabilizar o Estado Democrático de Direito.

Estrutura hierarquizada e ataques coordenados

De acordo com a denúncia, o núcleo 4 tinha uma divisão de funções que ia da espionagem de opositores à fabricação de relatórios falsos sobre o sistema eleitoral. Os integrantes também são acusados de participar de campanhas de desinformação nas redes sociais e de incentivar mobilizações antidemocráticas em frente a quartéis do Exército.

Os sete acusados respondem por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio público.

Quem são os réus do núcleo militar

Entre os denunciados está o ex-major do Exército Ailton Moraes Barros, apontado como elo entre o grupo e o general Walter Braga Netto. Segundo a PGR, ele teria recebido instruções para atacar comandantes que se recusaram a aderir ao golpe.

O major da reserva Ângelo Denicoli é acusado de produzir relatórios com dados falsos sobre urnas eletrônicas, enquanto o subtenente Giancarlo Rodrigues teria criado um núcleo clandestino na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar opositores e abastecer a rede de desinformação.

Outros denunciados incluem o tenente-coronel Guilherme Almeida, que teria divulgado vídeos convocando protestos; o coronel Reginaldo Abreu, responsável por manipular relatórios de um suposto “gabinete de crise” no Planalto; e o agente da Polícia Federal Marcelo Bormevet, acusado de usar recursos da Abin para rastrear adversários políticos.

O único civil entre os réus é Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, apontado como autor de um laudo fraudulento que serviu de base para contestar o resultado das urnas em 2022.

Próximos passos do julgamento

Após a leitura do relatório de Moraes, os ministros da Primeira Turma ouviram a sustentação oral da PGR e das defesas dos réus antes de iniciar a votação. A tendência é que o julgamento se estenda por mais de uma sessão, dada a complexidade das acusações e o volume de provas reunidas.

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