Ministros do Centrão que integram governo Lula participam de campanhas eleitorais de candidatos adversários do PT

Movimento tem gerado preocupação no Planalto devido ao risco de associação ao bolsonarismo. Lula já instruiu seus auxiliares a não se envolverem em situações delicadas

Ministros do Centrão e de outras partidos fora do leque da esquerda estão participando de campanhas adversárias àquelas apoiadas pelo PT nas disputas pelas prefeituras. Esse movimento tem gerado preocupação no Palácio do Planalto devido ao risco de associação ao bolsonarismo. O presidente Lula já instruiu seus auxiliares a não se envolverem em situações delicadas, porém, os integrantes do primeiro escalão têm enfrentado pressões internas para participarem de campanhas, mesmo que isso signifique apoiar um candidato adversário ao endossado pelo chefe do Executivo.

No PSD, o ministro André de Paula (Pesca) decidiu não apoiar a reeleição do prefeito de Recife, João Campos (PSB), respaldado pelo PT. Em vez disso, ele optou por apoiar uma candidatura organizada pela governadora Raquel Lyra (PSDB), que provavelmente será liderada por membros do PSDB, MDB ou PSD, estes que também estão à frente dos ministérios da Agricultura, com Carlos Fávaro, e de Minas e Energia, com Alexandre Silveira.

“A governadora (Raquel Lyra) estabeleceu uma relação extraordinária com o presidente Lula (…) que desfruta de grande prestígio no estado”, declarou André de Paula.

No caso do MDB, além das pressões vindas do governo federal e da própria direção do partido, há também a influência das diversas correntes internas que seguem em direções opostas. Apesar de ocupar ministérios importantes da gestão Lula, como Planejamento, com Simone Tebet, Cidades, com Jader Filho, e Transportes, com Renan Filho, o partido concentra seus esforços eleitorais em candidatos vinculados a Jair Bolsonaro.

Em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) concorrerá à reeleição apoiado pelas obras realizadas na capital e pela popularidade do ex-presidente. Do outro lado da disputa estarão os deputados Guilherme Boulos (PSOL), apoiado por Lula, e Tabata Amaral (PSB), respaldada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, manifestou preocupação com a possibilidade de ministros participarem de campanhas com candidatos próximos a Bolsonaro, salientando que ainda não discutiu o assunto com Lula.

Em uma reunião ministerial realizada no final do ano passado, Lula instruiu os ministros a evitarem envolvimentos que pudessem gerar constrangimentos. Esse cálculo tem deixado em suspense a participação de Tebet, Jader e Renan ao lado de Nunes. Há uma possibilidade de engajamento, mas os prós e contras estão sendo cuidadosamente avaliados. A ideia é aguardar para ver até que ponto a associação de Nunes com Bolsonaro irá. O comparecimento do prefeito a um evento em que Lula reuniu apoiadores em São Paulo há três semanas foi mal visto por ministros emedebistas. Por outro lado, os ministros do MDB consideram São Paulo uma prioridade para o partido.

Em Belém, cidade natal do ministro das Cidades, haverá um cenário semelhante. O PT apoiará a reeleição de Edmilson Rodrigues (Psol), enquanto o MDB lançará o deputado estadual Igor Normando, que está deixando o Podemos. O presidente do partido no Pará, Jader Filho, deverá ter um papel ativo na campanha de 2024 e é esperada sua participação no ato de filiação de Normando.

Em Maceió, onde o ministro Renan Filho tem influência, o MDB concorrerá à prefeitura com o deputado federal Rafael Britto. Por sua vez, o PT lançou o ex-vereador Ricardo Barbosa.

Apesar das preocupações expressas pela presidente do PT, outros membros do partido minimizam as divergências. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o coordenador do grupo do PT responsável pelas eleições, o senador Humberto Costa (PE), afirmam não verem com apreensão o cenário atual.

Com informações de O Globo.

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