Ministra do TSE que vetou púlpito vazio em debate da Globo já declarou voto em Lula; vídeo

Vídeo atribuído à eleição de 2022 mostra Estela Aranha defendendo voto no petista; magistrada não comentou a gravação, que voltou a circular após decisão sobre debate da TV Globo

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A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou nesta quinta-feira (1º) que a TV Globo não exibisse o púlpito vazio destinado a candidatos ausentes no debate presidencial, já declarou publicamente voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação ocorreu em um vídeo atribuído à eleição de 2022, embora a data exata da gravação não tenha sido confirmada.

Na gravação, Estela defende o então candidato petista no segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL).

“Voto em Lula no segundo turno. Eu voto 13 porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula para a gente estancar o aumento do autoritarismo, para a gente defender o Estado democrático de Direito e a democracia no país”, diz Estela na gravação. “Então, os advogados devem votar em Lula, inclusive para salvar o próprio sistema de Justiça.”

O vídeo voltou a circular com força em páginas e canais associados à direita depois da controvérsia envolvendo o debate presidencial da Globo.

Decisão sobre debate provocou reação

A decisão de Estela determinou que a Globo não poderia exibir o púlpito vazio de Lula durante o debate previsto para quinta-feira.

A programação acabou cancelada após uma sequência de acontecimentos. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a participação de Renan Santos (Missão), enquanto Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de comparecer. Lula também não participaria do encontro.

Ao anunciar sua decisão, Flávio afirmou que não iria ao debate “em função da censura imposta ao evento pelo TSE”.

A afirmação de que houve censura representa a avaliação de Flávio Bolsonaro sobre a decisão da Justiça Eleitoral.

Estela foi nomeada por Lula em 2025

Estela Aranha chegou ao TSE em 2025. Ela foi nomeada pelo presidente Lula em julho daquele ano para ocupar uma das duas vagas destinadas à classe dos juristas e iniciou seu mandato em agosto.

Graduada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Estela já havia ocupado cargos no governo Lula. Foi secretária nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, período em que a pasta era comandada por Flávio Dino, e também trabalhou na Presidência da República com temas relacionados à inteligência artificial e às relações internacionais.

Em 2025, antes de assumir como ministra, atuou ainda como assessora da Presidência do próprio TSE.

Segundo as informações fornecidas, Flávio Dino esteve entre os responsáveis pela articulação em favor da indicação de Estela à Corte Eleitoral. Ela integrou a lista tríplice feminina encaminhada pela então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, a Lula. Na ocasião, também contou com o apoio do presidente do PT, Edinho Silva.

Trajetória ligada a direito digital e inteligência artificial

Ao longo da carreira, Estela integrou a Comissão Especial de Proteção de Dados do Conselho Federal da OAB e da OAB do Rio de Janeiro.

Também fez parte do Conselho Consultivo de Alto Nível das Nações Unidas sobre Inteligência Artificial e participou de comissões de juristas do Senado responsáveis por discussões sobre a regulamentação da tecnologia e a atualização do Código Civil.

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