Revista alemã diz que Trumps são ‘bonzinhos’ frente aos Bolsonaros e analisa a dinastia política ‘sem paralelos’ do clã

Der Stern chama atenção para presença de oito integrantes do núcleo familiar nas eleições brasileiras de 2026 e diz que os Trumps perto dos Bolsonaros parecem “uma família boazinha do subúrbio”

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A presença da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas Eleições 2026 ganhou destaque na imprensa internacional. Reportagem publicada pela revista alemã Der Stern compara os Bolsonaro à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e chama atenção para a quantidade de parentes envolvidos simultaneamente na política brasileira.

“Os Trumps parecem uma família boazinha do subúrbio perto do clã Bolsonaro”, é o título da matéria, que aborda o grande número de membros da família do ex-presidente que resolveram fazer carreira na política.

Segundo a publicação, 18 candidatos que disputam as eleições deste ano levam Bolsonaro no nome, sendo oito integrantes do núcleo familiar. A revista cita, entre outros, Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência; Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado; Carlos Bolsonaro, também candidato ao Senado; Jair Renan Bolsonaro, que concorre a deputado federal; e Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente e candidato à Câmara.

Outros dez candidatos, de acordo com a reportagem, utilizam Bolsonaro no nome eleitoral mesmo sem parentesco com a família. A revista interpreta a escolha como uma estratégia para obter visibilidade junto ao eleitorado.

A publicação afirma que a dimensão alcançada pela família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não encontra paralelo em outras dinastias políticas contemporâneas.

Título da reportagem da revista alemã: “Comparados ao clã Bolsonaro, os Trump parecem uma família boazinha do subúrbio”.

Número de candidatos chama atenção da revista

Ao analisar a dimensão da participação familiar nas eleições brasileiras, a Der Stern estabelece comparações com outras famílias conhecidas por sua presença na política, entre elas os Bush, nos Estados Unidos, e os Le Pen, na França.

A socióloga Débora Messenberg Guimarães, da Universidade de Brasília (UnB), ouvida pela publicação, observa que outras famílias também construíram trajetórias políticas, mas em escala menor.

“Oito membros de uma família se candidatarem para uma eleição de uma só vez é um possivelmente um recorde mundial”, aponta Messenberg, citada no texto.

A reportagem também apresenta uma avaliação crítica mais ampla sobre a política brasileira:

“Na política brasileira há um citado que diz: ‘todos os políticos são ladrões’. Soa como puro cinismo contra a política. No entanto, é bem próximo da verdade”, diz a matéria.

Flávio ganha destaque na análise

A candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro ocupa espaço relevante na reportagem. A Der Stern analisa sua trajetória e questiona a caracterização do senador como representante “antissistema”, além de compará-lo a nomes da extrema direita internacional, como Donald Trump e o presidente argentino Javier Milei.

A revista também contrapõe as trajetórias de Flávio e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversários na disputa pela Presidência, e apresenta críticas à carreira política do candidato do PL — que nunca teve uma proposta relevante aprovada em anos de atuação na política brasileira.

Processos e investigações também são citados

A Der Stern aborda ainda processos e investigações relacionados a integrantes da família. A reportagem menciona a condenação de Jair Bolsonaro por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 e sua situação judicial atual.

O texto também faz referência a investigações e suspeitas que envolveram Flávio Bolsonaro ao longo de sua trajetória, como suas relações com membros da milícia no Rio de Janeiro e com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que atualmente está preso.

Outro nome abordado é Eduardo Bolsonaro, que teve o mandato de deputado federal cassado, foi expulso da Polícia Federal e condenado pela Justiça. A publicação menciona sua permanência nos Estados Unidos e as relações mantidas com aliados de Donald Trump, com os quais articula punições a autoridades brasileiras e tarifas.

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