‘Milícia aí, ó’: Homem grava vídeo mostrando sangue em roupa de mototaxista baleado na Brasil

Polícia Civil investiga se disparo partiu de grupo paramilitar da Zona Oeste em meio a uma guerra contra o Comando Vermelho

Um vídeo gravado por moradores mostra o sangue na roupa de um mototaxista baleado neste domingo (26) na praça da Vila Kennedy, próximo à Avenida Brasil, na Zona Oeste do Rio.

Eles atribuem os disparos a um suposto ataque da milícia em uma área de domínio do Comando Vermelho. A Polícia Civil investiga o caso.

“Mó esculacho, mané! Esse bagulho aí… Olha o que os caras faz com nós [sic] aí. Mó tirão no peito, moleque trabalhador. A milícia aí, ó”.

Morador, em vídeo

Procurada, a PM informou que criminosos em uma moto passaram atirando, e que não havia operação policial.

Estado de saúde de Daniel Albuquerque é considerado estável, segundo parentes

O mototaxista foi identificado como Daniel Albuquerque, 31. Ele foi internado no Hospital Albert Schweitzer. O estado de saúde dele é considerado estável, segundo parentes.

Guerra da milícia e do Comando Vermelho na Zona Oeste

Há três semanas, o grupo paramilitar invadiu a Vila Kennedy, obrigando moradores a buscar refúgio na UPA da região, como mostrou reportagem da Agenda do Poder.

Mulher usa o corpo para proteger filho de tiros, mostra vídeo na UPA Vila Kennedy / Crédito: Reprodução

A ação ocorreu em resposta a uma invasão horas antes do Comando Vermelho, quando criminosos gravaram um vídeo portando fuzis em uma área de domínio da milícia.

A maior milícia do Rio convive com traições, tentativas de golpe, assassinatos e até com fuzis em festa infantil. Quase dois anos após a prisão de Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, que se entregou à Polícia Federal, a organização criminosa luta para manter o domínio do seu próprio território em meio a constantes ataques do Comando Vermelho.

Martinha Sapatão (esq) era prima de Zinho (dir), líder da milícia preso / Crédito: Montagem

Os episódios mais recentes ocorreram nos últimos dias, envolvendo uma festa infantil com fuzis e homenagens a líderes mortos da milícia e o assassinato de uma prima de Zinho em meio à disputa de poder nas ruas. 

Marta Silva de Oliveira, a Martinha Sapatão, foi assassinada na madrugada de 18 de outubro ao ser atingida por ao menos seis tiros na cabeça por um homem encapuzado, que invadiu a casa onde ela morava em Cabo Frio, na Região dos Lagos.

No dia seguinte ao assassinato de Martinha Sapatão, agentes da Draco, a delegacia especializada em investigações envolvendo milícias, apreenderam seis fuzis e quatro pistolas no que seria uma festividade oferecida pela milícia em Guaratiba, um dos redutos do grupo paramilitar na Zona Oeste do Rio. Sete suspeitos foram presos. Um deles é PM. 


Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading