A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou na manhã desta terça-feira (23) à superintendência da Polícia Federal em Brasília para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele está preso no local desde 22 de novembro e deverá passar por uma cirurgia nos próximos dias. Michelle tem autorização judicial para visitar o marido às terças e quintas-feiras.
O procedimento já foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mas ainda depende da definição de data, que deve ser informada pela defesa do ex-presidente. A liberação ocorreu após a conclusão de uma perícia médica realizada pela Polícia Federal.
Laudo médico e decisão do STF
Em nota divulgada no domingo, médicos responsáveis pelo acompanhamento de Bolsonaro detalharam o quadro clínico e o procedimento indicado. O texto é assinado pelo cirurgião geral Claudio Birolini e pelo cardiologista Leandro Echenique. Segundo os profissionais, exames clínicos e de imagem confirmaram a presença de uma hérnia inguinal bilateral, que exige correção cirúrgica, com necessidade de internação hospitalar.
A perícia da Polícia Federal apontou que a cirurgia deve ser realizada o mais breve possível, mas classificou o procedimento como eletivo. Com base nesse entendimento, Alexandre de Moraes avaliou que não havia urgência imediata e determinou que os advogados apresentassem uma sugestão de data para a realização da intervenção.
Procedimentos previstos durante a internação
De acordo com os médicos, os exames mostraram que parte do intestino se projeta para fora da parede abdominal durante a chamada manobra de Valsalva, que aumenta a pressão interna do abdômen. Diante desse diagnóstico, Bolsonaro será submetido à herniorrafia inguinal bilateral, técnica cirúrgica utilizada para correção da hérnia.
Além da cirurgia, a equipe médica programou um bloqueio anestésico do nervo frênico, responsável pelo movimento do diafragma. O objetivo é reduzir crises de soluços persistentes que, segundo os médicos, não responderam ao tratamento medicamentoso. A nota informa que esse procedimento será realizado durante o período de internação, mas não especifica a duração da hospitalização.
Prisão e contexto médico
O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, após condenação do STF por tentativa de golpe de Estado. Os peritos também concluíram que Bolsonaro apresenta uma lesão em um nervo do tronco, decorrente de cirurgia anterior, fator que estaria relacionado aos episódios frequentes de soluço.
A hérnia inguinal ocorre quando parte do intestino ou de outro tecido abdominal se projeta por um ponto enfraquecido da parede muscular da virilha, formando uma protuberância. Segundo os médicos, a correção cirúrgica é necessária para evitar agravamento do quadro e permitir a recuperação clínica do ex-presidente.






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