A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro fez, neste sábado (25), sua primeira manifestação pública de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República desde o rompimento entre os dois, ocorrido no fim de junho. A declaração foi exibida em vídeo durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo, e marcou o encerramento público da crise familiar e política que havia provocado desgaste dentro da legenda.
Na gravação, Michelle não compareceu presencialmente ao evento, mas explicou que permaneceu em casa para acompanhar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao longo da mensagem, ela pediu união entre os apoiadores da direita, relembrou momentos da campanha de 2022 e destacou a importância da participação das mulheres na política.
A ex-primeira-dama também afirmou que a ausência de Jair Bolsonaro na convenção tem um significado que vai além da impossibilidade de comparecer ao evento.
Segundo Michelle, a falta do ex-presidente “fala muito mais alto” por representar milhões de brasileiros que confiaram em seu governo.
Apoio público à candidatura de Flávio
Embora tenha dedicado boa parte do discurso à mobilização do eleitorado conservador, Michelle reservou um momento para desejar sucesso ao enteado na disputa pelo Palácio do Planalto.
“Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura; ue ele te dê sabedoria, coragem e força a você e à sua família para cumprir esta missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece.”
A ex-primeira-dama também ressaltou o papel das mulheres na eleição deste ano. Segundo ela, o eleitorado feminino representa 53% dos votantes e terá influência decisiva no resultado das urnas.
Michelle defendeu que lideranças locais intensifiquem o diálogo com os eleitores indecisos e trabalhem para ampliar a participação das mulheres na política.
Mesmo após deixar a presidência do PL Mulher, ela permaneceu como uma das principais referências do núcleo feminino do partido. Na convenção, um totem com sua imagem ao lado de Jair Bolsonaro foi instalado no espaço dedicado ao segmento.
Reconciliação ocorreu antes da convenção
A participação de Michelle no evento ocorreu apenas dois dias após o início da reconciliação pública com Flávio Bolsonaro.
Na quinta-feira (23), o senador divulgou um vídeo em que reconheceu os desgastes entre os dois, pediu desculpas pelos episódios que provocaram “desconforto” e fez um convite para que a ex-primeira-dama integrasse sua campanha presidencial.
“Michelle, renovo aqui o convite para caminharmos juntos na missão de defender o Brasil”, declarou.
Poucas horas depois, Michelle respondeu em outra gravação, afirmando que recebeu o pedido de desculpas com serenidade e valorizando a atitude do enteado.
“Todos nós cometemos erros, isso é humano, e o seu gesto de vir a público para pedir desculpas tem muito valor”, afirmou.
Na sequência, encerrou a mensagem declarando: “Aceito teu pedido. Eu te desculpo.”
A troca de manifestações públicas foi interpretada por aliados do PL como um gesto de pacificação em um momento considerado estratégico para o início oficial da campanha presidencial.
Crise teve origem em articulações no Ceará
O afastamento entre Michelle e Flávio tornou-se público no fim de junho, durante as negociações eleitorais do partido no Ceará.
Na ocasião, a ex-primeira-dama criticou a tentativa do PL de construir uma aproximação política com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), o que desencadeou divergências dentro da legenda.
Em vídeos publicados nas redes sociais, Michelle afirmou que tentou conversar com Flávio por telefone, mas teria sido tratada de forma ríspida. Segundo ela, o senador disse que deveria permanecer distante das decisões partidárias e que não entendia de política.
Flávio negou ter desrespeitado ou humilhado a ex-primeira-dama. Na época, afirmou que a família enfrentava um período delicado em razão da situação de Jair Bolsonaro e atribuiu a reação de Michelle ao momento vivido pelo ex-presidente.
A crise teve reflexos internos no partido. Após o episódio, Michelle deixou a presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde a criação do núcleo destinado a ampliar a participação feminina na legenda. A saída ocorreu após conversa com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
Nos bastidores, o rompimento gerou preocupação entre dirigentes do PL devido à influência política da ex-primeira-dama junto ao eleitorado feminino e evangélico, considerado estratégico para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Convenção oficializa candidatura e vice segue indefinido
A convenção deste sábado marcou a primeira candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Senador desde 2019, ele foi deputado estadual no Rio de Janeiro por quatro mandatos e disputou a Prefeitura do Rio em 2016.
Apesar da oficialização de seu nome pelo PL, o parlamentar ainda não anunciou quem será o candidato a vice-presidente.
Flávio tem declarado preferência por uma mulher para compor a chapa, mas afirma que a definição depende das negociações conduzidas com outras legendas. União Brasil, PP e Republicanos ainda discutem sua posição na disputa presidencial e têm sinalizado a possibilidade de neutralidade.
Entre os nomes citados nas conversas estão a economista Daniella Marques, filiada ao Republicanos, e a deputada federal Simone Marquetto (PP). Já a senadora Tereza Cristina descartou integrar a chapa.
Com a aprovação da convenção, Flávio passa a ser oficialmente o candidato escolhido pelo Partido Liberal para disputar a Presidência da República. O próximo passo será o registro da candidatura na Justiça Eleitoral, dentro do calendário estabelecido para as eleições de 2026.






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