PL lança candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em convenção com presença de Milei

Evento em São Paulo marca estreia do senador em uma disputa presidencial e reúne lideranças da direita, enquanto vice ainda segue indefinido

O Partido Liberal (PL) realizou na manhã deste sábado (25), em São Paulo, a convenção nacional que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República nas eleições de 2026, informa o portal g1. O evento reuniu dirigentes da legenda, parlamentares, apoiadores e teve como um dos destaques a participação do presidente da Argentina, Javier Milei.

Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro disputa o Palácio do Planalto. Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador foi escolhido pela família para liderar o projeto político do grupo após a inelegibilidade do pai. A convenção também marcou o início oficial da campanha do parlamentar, que ainda busca consolidar alianças e definir quem ocupará a vaga de vice em sua chapa.

Embora não tenha comparecido ao evento, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participou por meio de um vídeo gravado, exibido aos convencionais. No espaço destinado ao PL Mulher, um totem em sua homenagem foi instalado para destacar sua presença simbólica na convenção.

Família Bolsonaro participa da convenção

Além de Flávio, o evento contou com a presença de Rogéria Bolsonaro, mãe do senador e ex-esposa de Jair Bolsonaro. Ela foi apresentada ao público pelo mestre de cerimônias durante a abertura da convenção. Rogéria é a primeira suplente de Márcio Canella (União Brasil) na disputa por uma vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro.

Os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro participaram remotamente, por meio de vídeos gravados.

Eduardo Bolsonaro, que permanece nos Estados Unidos, defendeu a candidatura do irmão e pediu união em torno do projeto político da família.

“Vamos vencer essa eleição, soltar Bolsonaro e anistiar os presos de 8 de janeiro”, disse. Ao encerrar a gravação, afirmou: “Não há mais tempo para ego, projeto pessoal. É Flávio Bolsonaro eleito”.

Já Carlos Bolsonaro destacou a confiança no irmão para dar continuidade ao legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a exibição da mensagem, Flávio se emocionou e chorou.

“Sei da responsabilidade da missão que você recebeu, mas estou muito tranquilo porque confio na sua missão de levar à frente o legado de Jair Bolsonaro”, afirmou.

Vice ainda é principal indefinição da chapa

Apesar da oficialização da candidatura, o PL ainda não definiu quem será o candidato a vice-presidente.

Flávio Bolsonaro já declarou publicamente que gostaria de compor uma chapa com uma mulher, mas reconhece que a escolha dependerá das negociações partidárias em andamento. A estratégia busca ampliar a aliança eleitoral e aumentar o tempo de propaganda no rádio e na televisão.

Entre os nomes especulados está o da economista Daniella Marques, filiada ao Republicanos. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro, ela atualmente coordena o núcleo econômico da pré-campanha.

Outra possibilidade ventilada foi a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), liderança ligada ao eleitorado católico. Já a senadora Tereza Cristina descartou a possibilidade de integrar a chapa.

Nos bastidores, PP, União Brasil e Republicanos têm sinalizado preferência por manter neutralidade na disputa presidencial, dificultando a formação de uma ampla coligação. Caso não haja acordo até o prazo final, em 15 de agosto, o PL poderá lançar uma chapa formada exclusivamente por integrantes da legenda.

Escolhido por Jair Bolsonaro para disputar o Planalto

Empresário e advogado, Flávio Bolsonaro tem 45 anos. Antes de chegar ao Senado, exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual no Rio de Janeiro e disputou a Prefeitura da capital fluminense em 2016, terminando a eleição na quarta colocação.

Em dezembro do ano passado, anunciou que havia sido escolhido pelo pai para representar a família Bolsonaro na disputa presidencial.

Naquele momento, pesquisas de intenção de voto já o apontavam como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desempenho eleitoral cresceu ao longo dos primeiros meses da pré-campanha e atingiu seu melhor resultado em maio.

Nos levantamentos mais recentes, entretanto, o senador registrou queda nas intenções de voto após o chamado caso “Dark Horse”, relacionado às investigações sobre repasses financeiros do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Na última quinta-feira (23), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a investigar se recursos enviados por Vorcaro foram utilizados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Paralelamente, outro inquérito, autorizado pelo ministro Flávio Dino, apura suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas à produtora responsável pelo filme.

Campanha enfrenta desafios políticos e judiciais

Nas últimas semanas, a campanha também enfrentou turbulências provocadas pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e por um desentendimento público entre Flávio e Michelle Bolsonaro.

No fim de junho, a ex-primeira-dama divulgou um vídeo afirmando ter sido maltratada pelo enteado durante divergências relacionadas às alianças políticas no Ceará. A crise preocupou aliados do senador, especialmente pela influência de Michelle entre o eleitorado feminino e evangélico.

Dias antes da convenção, porém, os dois anunciaram a reconciliação. Flávio divulgou um vídeo pedindo desculpas e convidando Michelle a participar da campanha. Em resposta, ela afirmou: “Aceito teu pedido. Eu te desculpo”.

Durante a pré-campanha, Flávio também modificou o tom de seu discurso. Inicialmente, buscou apresentar uma imagem mais moderada em comparação ao pai.

“Sempre pediram um Bolsonaro mais moderado. Eu sempre fui assim, eu sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado, centrado”, afirmou a empresários em dezembro.

Nas últimas semanas, contudo, intensificou as críticas ao Supremo Tribunal Federal após decisão do ministro Alexandre de Moraes que o proibiu de visitar Jair Bolsonaro por 90 dias. A medida foi tomada depois que o senador divulgou uma carta do ex-presidente indicando-o como porta-voz político, fato interpretado pelo ministro como violação das condições da prisão domiciliar.

Além disso, Flávio voltou a fazer declarações sobre as urnas eletrônicas em encontro com diplomatas, retomando alegações que já foram rejeitadas pela Justiça Eleitoral.

Propostas priorizam segurança e políticas para mulheres

Entre as principais propostas apresentadas durante a pré-campanha está o programa “Brasil sem Medo”, voltado à segurança pública. O plano prevê medidas como a redução da maioridade penal, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e a castração química para condenados por estupro.

Na área social, o senador lançou o programa “Brasil por Elas”, desenvolvido ao lado de Daniella Marques. Entre as propostas estão a ampliação do acesso à internet para mulheres e a criação de uma linha de microcrédito destinada ao empreendedorismo feminino.

Caso seja eleito, Flávio afirma que buscará a anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O senador também declarou, em diferentes ocasiões, que gostaria de receber a faixa presidencial das mãos do pai durante a cerimônia de posse.

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