A disputa pela indicação ao Supremo Tribunal Federal ganhou novos contornos após a apertada votação que reconduziu Paulo Gonet ao comando da Procuradoria-Geral da República. Embora o resultado tenha servido de alerta ao governo, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmaram ao jornal O Globo que o advogado-geral da União, Jorge Messias, permanece como favorito para ocupar a vaga aberta no STF.
Lula deve retomar as conversas sobre o tema nesta semana, antes de embarcar para a África do Sul, onde participa nos dias 22 e 23 da cúpula do Brics. O presidente quer calibrar a escolha após o desgaste provocado pela avaliação de que Gonet não teria atuado politicamente para garantir apoios no Senado.
Reuniões estratégicas e consultas internas
Antes de anunciar oficialmente o nome escolhido, Lula pretende se reunir com o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, do PSD de Minas Gerais, e com o ministro do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas, ambos cotados para ocupar a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso. A consulta aos dois é considerada uma etapa necessária na articulação.
Para interlocutores do Planalto, o placar apertado da recondução de Gonet foi uma resposta direta à conduta do procurador-geral na denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no processo sobre a trama golpista. Avaliam também que Gonet não fez campanha e confiou integralmente na articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Messias, por sua vez, teria um caminho diferente. Caso seja anunciado por Lula, o advogado-geral da União deve percorrer gabinetes, conversar inclusive com parlamentares da oposição e construir apoios de forma direta. A religião do AGU também é vista como uma vantagem: ser evangélico pode ajudar a quebrar resistências na ala conservadora do Senado.
Caminho no Senado e alinhamento político
Assim como ocorre com o PGR, o indicado ao Supremo precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e, depois, ser aprovado no plenário, onde são exigidos ao menos 41 votos favoráveis. A articulação política será fundamental.
Na semana passada, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, afirmou em Belém que Messias continua sendo a escolha mais provável de Lula. “Eu sinceramente creio que o nome está lançado. Não vejo reversão”, declarou o senador, indicando que o Planalto não trabalha com alternativas à sucessão.
Mudança de planos após pressão interna
A aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, anunciada em 9 de outubro, criou expectativa de que Lula faria a indicação de forma rápida – algo que não ocorreu em suas escolhas anteriores. Em 2023, as indicações de Flávio Dino e Cristiano Zanin levaram 59 e 51 dias, respectivamente.
No entanto, os planos mudaram em 21 de outubro. Após encontro com Davi Alcolumbre, no qual ouviu que a maioria do Senado preferia Rodrigo Pacheco para a vaga, Lula decidiu adiar a decisão para organizar melhor o terreno político. A prudência, dizem auxiliares, tornou-se essencial diante do recado dado na votação de Gonet.
Com a saída de Barroso já efetivada, o governo tenta agora evitar novos desgastes e garantir que a terceira indicação de Lula ao Supremo ocorra com respaldo suficiente para atravessar com tranquilidade a sabatina e o plenário.






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