A aprovação da recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com apenas 45 votos favoráveis no Senado, foi lida nos bastidores de Brasília como um recado direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo senadores da própria base governista, o resultado revela um alerta: se o advogado-geral da União, Jorge Messias, for indicado agora ao Supremo Tribunal Federal (STF), dificilmente será aprovado. As informações e ilações são da Coluna do Estadão.
‘Trauma Dino’ ainda pesa sobre o governo no Senado
Embora Gonet e Messias tenham perfis distintos, parlamentares avaliam que a resistência à indicação de Messias está ligada ao chamado “trauma Dino”. A insatisfação com o ministro Flávio Dino, hoje no STF, ainda reverbera no Congresso. Muitos senadores, inclusive aliados de Lula, reclamam que Dino, após assumir a toga, passou a impor limites ao pagamento de emendas — medida vista como uma quebra de confiança.
Rodrigo Pacheco ganha força como alternativa
A insatisfação dentro da base aumenta a pressão pela escolha do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), como indicado para a vaga aberta no Supremo. Aliados de Lula avaliam que Pacheco foi leal ao governo em momentos decisivos e teria “sacrificado” sua carreira política em Minas Gerais para garantir estabilidade à gestão petista. Para esses parlamentares, a indicação de Pacheco seria um gesto de reconhecimento à importância do Senado na governabilidade.
Planalto tenta conter desgaste e mantém Messias
Apesar da leitura política negativa, o Palácio do Planalto minimizou o resultado da votação de Gonet. Assessores presidenciais afirmam que o desempenho do procurador-geral não servirá de parâmetro para a escolha do futuro ministro do STF. Lula, segundo interlocutores, segue decidido a indicar Jorge Messias, considerado de sua mais estreita confiança.
Lula vê tempo e espaço para recompor pontes
Nos bastidores, aliados próximos do presidente ponderam que Messias ainda é jovem e poderia ser lembrado em uma próxima vaga, caso Lula vença as eleições de 2026. Para agora, parte da base defende uma escolha mais política — e menos simbólica — que reforce pontes com o Senado e evite nova resistência institucional.






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