Mesmo preso há quase 20 anos, Fernandinho Beira-Mar mantém liderança no Comando Vermelho

Documento revela que traficante segue exercendo influência sobre outros detentos e articulando ações criminosas de dentro do sistema federal

Isolado em presídios federais há quase duas décadas, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, continua sendo apontado como o principal líder do Comando Vermelho (CV). De acordo com um documento da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), obtido com exclusividade pelo jornal Extra, o traficante mantém forte influência sobre outros presos, controlando ações e oferecendo apoio financeiro, advocatício e médico a comparsas.

Histórico mostra atuação mesmo sob vigilância máxima
O relatório da Senappen, atualizado anualmente, destaca que Beira-Mar segue “exercendo liderança negativa” no sistema prisional federal. O documento revela que, entre 2014 e 2016, quando esteve na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), o criminoso conseguiu burlar as rígidas regras de segurança, utilizando parentes e advogados para dar continuidade a suas atividades ilícitas fora da prisão.

Operação revelou mensagens escondidas em marmitas
Em 2017, bilhetes assinados por Beira-Mar foram encontrados dentro de marmitas por agentes penitenciários, o que deflagrou a Operação Epístola. A investigação atingiu familiares, comparsas e advogados ligados ao traficante, resultando em sua transferência para o presídio federal de Mossoró (RN). Na unidade, ele chegou a interagir com líderes de facções rivais, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), discutindo negócios e a hierarquia das organizações criminosas.

Relatório aponta tentativas de burlar isolamento
Mesmo com o aumento do controle sobre comunicações a partir de 2019, Beira-Mar continuou agindo. Em 2022, o documento indica que ele custeava advogados de outros detentos aliados ao CV e mantinha articulações externas com ajuda de visitantes e presos. A atualização de 2023 mostra que o traficante seguia com “liderança negativa” e apresentava sinais de desgaste psicológico após quase 20 anos no regime federal.

Governo nega brechas nas comunicações
Em nota enviada ao Extra, a Senappen afirmou que todas as comunicações nos presídios federais são monitoradas e dependem de autorização judicial. O órgão reforçou que o sistema foi criado justamente para neutralizar a influência de líderes criminosos, com isolamento individual e vigilância constante.

Expansão do CV desafia o PCC e preocupa autoridades
Apesar do isolamento das lideranças, o Comando Vermelho segue ampliando sua presença no país. Segundo órgãos de segurança do Rio de Janeiro, traficantes de 13 estados já atuam em áreas dominadas pela facção, com destaque para o Pará, que tem ao menos 78 criminosos identificados em complexos cariocas. A rede de alianças, alimentada por contatos feitos dentro das penitenciárias federais, fortalece o CV frente ao PCC e tem transformado o Rio em um centro estratégico do crime organizado.

Integração entre polícias tenta conter avanço da facção
A expansão nacional do Comando Vermelho também fez crescer a integração entre polícias civis e militares de diferentes estados. Grupos de WhatsApp foram criados para compartilhar informações sobre criminosos foragidos e operações conjuntas. Em setembro, uma ação conjunta entre forças do Rio e do Pará prendeu uma traficante paraense apontada como elo entre as duas regiões, em comunidades da Zona Oeste do Rio.

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