Sete chefes do Comando Vermelho (CV), acusados de ordenar ataques e erguer barricadas em resposta à megaoperação policial que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, foram transferidos nesta quarta-feira (12) do Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, para a penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná. O transporte começou às 11h, com escolta da Polícia Federal.
Os nomes dos transferidos incluem figuras de alto escalão do crime organizado: Arnaldo da Silva Dias (Naldinho), Carlos Vinicius Lírio da Silva (Cabeça do Sabão), Eliezer Miranda Joaquim (Criam), Fabrício de Melo Jesus (Bicinho), Marco Antônio Pereira Firmino da Silva (My Thor), Alexander de Jesus Carlos (Choque) e Roberto de Souza Brito (Irmão Metralha).
Presídio de Catanduvas abriga Fernandinho Beira-Mar
Segundo o blog de Malu Gaspar, a penitenciária de destino é a mesma onde está preso Fernandinho Beira-Mar, o primeiro detento do sistema penal federal, que inaugurou Catanduvas em 2006. No entanto, as autoridades afirmam que os recém-transferidos não terão contato com Beira-Mar nem entre si.
A transferência foi solicitada pelo governo do Rio após a megaoperação do dia 28 de outubro. Atualmente, o estado tem 58 presos sob custódia federal. O governo afirma que a medida reforça a estratégia de isolar lideranças e conter o comando das facções a partir das prisões.
Operação conjunta entre Seap, Senappen e PF
Em nota, o governo fluminense informou que a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) coordenou a ação em parceria com o Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). O transporte, feito do presídio Bangu 1 até o Aeroporto do Galeão, contou com agentes do Serviço de Operações Especiais (SOE), do Grupo de Intervenção Tática (GIT) e da Divisão de Busca e Recaptura (Recap), todos da Seap. De lá, os criminosos embarcaram em uma aeronave da Polícia Federal rumo a Catanduvas.
O governador Cláudio Castro afirmou que a transferência das lideranças do CV “reflete o compromisso do Estado com o fortalecimento das políticas de segurança pública e a adoção de medidas concretas para interromper a atuação das facções criminosas a partir do sistema prisional”.
Histórico dos criminosos transferidos
Entre os transferidos, está Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor, um dos membros mais antigos do Comando Vermelho, apontado como chefe do tráfico no Morro Santo Amaro, no Catete. Preso há mais de 23 anos, ele passou por diferentes penitenciárias federais e retornou ao Rio em 2021.
Outro nome de destaque é Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho, condenado por tráfico e homicídio a mais de 50 anos de prisão. Apontado como porta-voz da facção, ele é acusado de ordenar a suspensão de roubos e confrontos durante o G20 no Rio. A Polícia Civil, o Ministério Público e a Polícia Federal pediam sua transferência havia mais de um ano.
Tentativa de resgate e liderança regional
Carlos Vinicius Lírio da Silva, o Cabeça do Sabão, era apontado como chefe do tráfico em Niterói e suspeito de planejar, em 2021, o uso de uma aeronave para resgatar presos de Bangu. O plano foi frustrado após o piloto, que era policial civil, reagir ao sequestro do helicóptero.
Outro preso, Fabrício de Melo de Jesus, o Bicinho, é considerado um dos principais líderes do CV em Volta Redonda. Ele foi condenado por homicídio e tráfico e teria envolvimento na morte de um homem cujo corpo foi jogado no Rio Paraíba do Sul.
A secretária de Administração Penitenciária, Maria Rosa Nebel, destacou que a operação integra as ações da Operação Contenção e foi conduzida de forma “técnica e integrada”, garantindo o equilíbrio do sistema prisional e a segurança da população.






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