Menor Piu ligado a Oruam voltará à semiliberdade para cumprir medida socioeducativa

Após fugir de medida judicial, menor foi apreendido na casa do trapper

O adolescente infrator conhecido como Menor Piu, que foi encontrado na casa do trapper Oruam, deverá cumprir o restante de sua sentença em regime de semiliberdade, conforme decisão da Vara da Infância e da Juventude. O jovem, apreendido inicialmente por roubo de carro em flagrante no ano passado, havia desaparecido do Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (Criaad) em maio, deixando de comparecer a uma consulta médica marcada — o que motivou a expedição de um mandado de busca e apreensão.

Após ser localizado na residência de Oruam, na Zona Oeste do Rio, Piu se entregou à polícia e retornou ao sistema socioeducativo. A juíza responsável pelo caso decidiu que não havia elementos suficientes para justificar a internação provisória e determinou a continuidade da medida de semiliberdade.

“Considerando o cumprimento do mandado, constata-se o interesse na continuidade do cumprimento da medida de semiliberdade, visto que não há elementos nos autos que demonstram a reintegração social do reeducando”, afirmou a magistrada na guia de execução.


Confusão com a polícia e fuga filmada

A operação policial para apreender Menor Piu gerou tumulto. Ele foi localizado na última segunda-feira na casa do cantor Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, filho do traficante Marcinho VP, apontado pela Polícia Civil como líder do Comando Vermelho.

Durante a tentativa de apreensão, policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram recebidos com resistência. Segundo os agentes, pedras foram arremessadas contra as viaturas, inclusive pelo próprio Oruam. A confusão permitiu que Piu fugisse para uma área de mata com outros jovens. Um deles, Paulo Ricardo de Paula Silva de Moraes, conhecido como Boca Rica, foi preso em flagrante.

Toda a ação foi gravada pelos próprios envolvidos, e os vídeos estão sendo usados pela polícia no inquérito que investiga crimes como desacato, ameaça, resistência e associação ao tráfico. Oruam também se entregou e divulgou um pedido de desculpas aos fãs.


Adolescente alega querer seguir carreira artística

Nas redes sociais, Menor Piu afirmou que deseja se afastar da criminalidade e investir em uma carreira artística. Ele já era conhecido por produzir vídeos e músicas de rap, o que, segundo sua defesa, pode representar um novo caminho de reintegração.

Apesar da intenção declarada, o histórico do adolescente é associado a uma facção criminosa atuante no Complexo da Penha, onde ele integrava um grupo chamado “Equipe do Ódio”, suspeito de diversos roubos de veículos.

A DRE segue com o inquérito aberto e tem até 30 dias para concluir o relatório. O trapper Oruam pode ser indiciado por crimes que, somados, preveem penas de até 18 anos de reclusão.

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