Mendonça cobra explicações da Papuda sobre abordagem a “Careca do INSS” em investigação no STF

Ministro dá 48 horas para presídio esclarecer suposta tentativa de pressão por delação premiada envolvendo empresário preso na Papuda

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Complexo Penitenciário da Papuda preste esclarecimentos sobre uma suposta abordagem feita por policiais penais ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”.

A decisão foi assinada nesta segunda-feira, 22, e estabelece prazo de 48 horas para que a administração do presídio detalhe o episódio e identifique os agentes envolvidos na ocorrência.

Segundo a determinação, o caso envolve possíveis irregularidades na condução de uma conversa com o detento dentro da unidade prisional, o que levantou questionamentos no âmbito judicial.

O STF exige esclarecimentos formais da Papuda sobre possível abordagem irregular envolvendo tentativa de colaboração premiada dentro do presídio.


Denúncias Da Defesa E Abordagem No Presídio

A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes afirmou ao gabinete do ministro que policiais penais teriam realizado questionamentos informais ao empresário dentro da prisão, sem agendamento prévio e sem a presença de seus advogados.

De acordo com a petição, os agentes teriam abordado o detento com insistência sobre a possibilidade de firmar um acordo de colaboração premiada, permanecendo no tema por cerca de uma hora.

O episódio teria ocorrido na semana passada, quando o empresário foi retirado da cela e levado a uma sala dentro do presídio, conforme informações divulgadas pela CNN.

A defesa sustenta que houve pressão indevida por delação premiada sem a presença de advogados e fora dos procedimentos legais adequados.


Quem É O Careca Do Inss E Operação Sem Desconto

Antônio Carlos Camilo Antunes está preso preventivamente desde 12 de setembro de 2024 e é um dos principais investigados da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal.

Segundo as investigações, pessoas e empresas ligadas ao empresário teriam recebido cerca de R$ 48,1 milhões de associações suspeitas de realizar descontos indevidos em benefícios de aposentados, além de R$ 5,4 milhões de empresas associadas, totalizando R$ 53,5 milhões em movimentações consideradas irregulares.

No âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Antunes negou participação no esquema e classificou a prisão como “medida extremamente grave”, atribuindo as acusações a uma suposta perseguição de ex-parceiros comerciais.

O caso segue em investigação e envolve suspeitas de desvio milionário em benefícios previdenciários, além de disputas judiciais sobre a legalidade da prisão e das acusações.

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