Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, desembarca em Brasília nesta quarta-feira (24) em meio a uma crescente pressão para deixar o cargo e vai tentar convencer Lula a deixá-lo ficar na liderança até o recesso. O senador passou a ser alvo de questionamentos após ser citado em investigação da Polícia Federal relacionada ao caso do Banco Master.
Apesar do desgaste político, Wagner pretende atuar para permanecer na liderança ao menos até o início do recesso parlamentar, previsto para 19 de julho. Em conversas com aliados, ele sustenta que não há justificativa para um afastamento imediato e afirma ser inocente das acusações.
O senador também argumenta que uma saída agora poderia enfraquecer o palanque do presidente Lula na Bahia, estado considerado estratégico para o governo.
Defesa do senador e estratégia jurídica
Wagner tem reforçado a aliados que não cometeu irregularidades e que a investigação apresenta falhas. Ele já apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a decisão do ministro André Mendonça que autorizou buscas e apreensões em endereços ligados a ele.
Segundo pessoas próximas, o senador sustenta que houve erros graves na operação e nega qualquer atuação em benefício de interesses do Banco Master.
Além da estratégia jurídica, aliados afirmam que Wagner tenta sensibilizar Lula ao lembrar a relação de amizade de mais de 40 anos entre os dois, como forma de reforçar confiança política.
Movimento do Planalto e articulação por substituição
No governo, a avaliação é de que a permanência de Wagner na liderança se tornou politicamente difícil após a operação da Polícia Federal. Auxiliares do presidente Lula defendem que a saída ocorra de forma voluntária, evitando uma exoneração direta.
Nos bastidores, ministros e aliados do Planalto articulam para convencer o senador a deixar o cargo, buscando reduzir o impacto político do caso e preservar a imagem do governo.
Lula teria conversado com Wagner no dia da operação e demonstrado solidariedade, embora interlocutores afirmem que isso não representa garantia de permanência na função.
Tensão política e impacto na base governista
A crise envolvendo o líder do governo no Senado gerou desconforto no Palácio do Planalto, especialmente por interromper uma sequência de agendas positivas para a gestão federal.
Aliados avaliam que a exposição do caso mantém o tema em evidência, o que dificulta tanto a defesa política de Wagner quanto a condução da pauta legislativa do governo.
Enquanto isso, o senador insiste em permanecer no cargo até julho, ao passo que o Planalto trabalha nos bastidores para construir uma transição considerada provável por integrantes do governo.






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