‘Me senti suja’: revista detalha segunda denúncia contra ministro do STJ

Mulher relata rotina de abusos, apresenta gravação ao CNJ e assessores confirmam versão; magistrado nega acusações

A segunda mulher que acusa Marco Aurélio Gastaldi Buzzi de assédio sexual descreveu uma sequência de episódios ocorridos no gabinete do Superior Tribunal de Justiça. Alvo de duas apurações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o magistrado foi afastado de forma provisória. A defesa afirma que ele é inocente.

A primeira denúncia veio à tona na semana passada e foi apresentada por uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro, que passavam férias na casa de praia dele em Santa Catarina. Segundo o relato, em 9 de janeiro, o magistrado teria tentado agarrá-la no mar. O segundo depoimento é de uma funcionária terceirizada que atuava como secretária no gabinete.

A revista Veja teve acesso aos detalhes do depoimento prestado ao CNJ. De acordo com a publicação, as abordagens teriam começado com elogios e evoluído para contatos físicos em diferentes áreas reservadas do gabinete.

Relatos de episódios em série no gabinete

No depoimento, a ex-servidora contou que costumava ser a primeira a chegar ao trabalho e que foi assediada em quatro ambientes distintos. Em um dos episódios, teria sido chamada para verificar um barulho em um cubículo ligado ao espaço privativo do ministro; ao entrar, disse ter sentido a mão do magistrado deslizando por suas nádegas e deixou a sala em choque.

Ela afirmou que situações semelhantes se repetiram na biblioteca do gabinete e em um corredor interno. Apesar do padrão de conduta, permaneceu no cargo por ser a única provedora da família.

Em outro momento, ainda segundo o relato, o ministro teria apertado com força uma de suas nádegas dentro da sala pessoal. A secretária reagiu, segurou o braço dele e o afastou; o magistrado teria recuado e pedido desculpas.

Gravação e testemunhos reforçam denúncia

A ex-servidora disse que procurou a autoridade máxima do setor e ouviu como sugestão apenas a mudança de horário de expediente. Com abalos psicológicos, pediu para sair do gabinete e relatou perda parcial da visão, conforme a revista.

Após a divulgação do primeiro caso, decidiu formalizar a denúncia por temer que não acreditassem em sua versão. Além do depoimento, entregou aos investigadores uma gravação da conversa com a chefia imediata, apontada como uma das principais provas.

Ainda segundo a publicação, três assessores confirmaram a ministros do STJ a versão apresentada pela ex-funcionária, reforçando a apuração em curso.

O que diz a defesa do magistrado

Procurado, o ministro não comentou especificamente o novo relato. Depois do afastamento, a defesa declarou que a medida é desnecessária e sustentou a inexistência de risco para a investigação, lembrando que o magistrado estaria afastado para tratamento médico.

Em carta aos colegas, ele negou as acusações, afirmou estar impactado com as notícias e disse jamais ter adotado conduta que maculasse a magistratura. Também informou estar internado, sob acompanhamento cardíaco e emocional.

A apuração segue sem acusação formal. A tipificação final pode variar de importunação a crimes mais graves, a depender do entendimento dos investigadores e do Ministério Público Federal. O afastamento foi decidido de forma unânime pelo plenário do STJ, em sessão descrita por integrantes da Corte como marcada por clima de consternação.

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