Mauricio Martins Junior, conhecido nas redes sociais como “Maumau” e com mais de três milhões de seguidores no Instagram, foi solto após pagar fiança de R$ 151 mil. O influenciador havia sido preso em flagrante, na última quarta-feira, em Arujá (SP), por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, informa O Globo.
A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Desfortuna, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro para investigar 15 influenciadores digitais suspeitos de promover jogos de azar on-line, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. Na casa de Maumau, os agentes encontraram um revólver calibre .38, com numeração raspada, e 48 munições.
Decisão judicial e condições da liberdade
A juíza Larissa Boni Valieris, do Tribunal de Justiça de São Paulo, reconheceu que havia indícios de autoria e materialidade, mas entendeu não estarem presentes os requisitos para prisão preventiva. Ela destacou que o acusado é primário e não há evidências de alta periculosidade.
Considerando a declaração de renda do influenciador — cerca de R$ 750 mil mensais —, a magistrada fixou a fiança no teto previsto para o caso: 100 salários mínimos, equivalentes a R$ 151 mil. Entre as medidas cautelares, Maumau terá de comparecer bimestralmente à Justiça para informar suas atividades, não poderá deixar a comarca por mais de dez dias sem autorização e deverá participar de todos os atos processuais.
Em depoimento à polícia, Maumau disse ter recebido a arma como presente de um amigo que não soube identificar. O material apreendido passará por perícia, e o processo segue em andamento.
Vídeo na cela
Durante a detenção, o influenciador gravou vídeos de dentro da cela, em Guarulhos (SP), no sábado. Nas imagens, ele comenta estar aguardando o alvará de soltura e afirma: “Um homem de Deus não vai ficar preso. Porque eu não sou ladrão, não sou bandido. Maumau é do povo, Maumau é Brasil”.
Operação mira esquema bilionário
Segundo a Polícia Civil, os investigados usavam as redes sociais para divulgar cassinos on-line com promessas enganosas de lucros rápidos. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam movimentações suspeitas que somam mais de R$ 4 bilhões.
O delegado Renan Mello, da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro, afirma que os influenciadores “ganham em cima da perda dos apostadores” e que o grupo ostentava estilo de vida incompatível com a renda declarada, incluindo carros de luxo, imóveis caros e viagens internacionais.
Na ação, três veículos de alto padrão foram apreendidos, além de outros bens. A investigação apura crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, estelionato, publicidade enganosa, crime contra a economia popular e exploração de jogos de azar.






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