Uma vistoria realizada nesta quarta-feira (18) no Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, encontrou amostras de materiais genéticos coletados para exames de biópsia armazenadas de forma irregular: em potes de doces, dentro de baldes e até em caixas. A inspeção foi conduzida pela Defensoria Pública da União (DPU) com apoio do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), após denúncia feita por funcionários da própria unidade.
Segundo os relatos, as amostras estão acumuladas desde o início do ano, o que contraria a Lei Federal nº 12.732/2012, que determina o prazo máximo de 60 dias entre o diagnóstico de câncer e o início do tratamento. A situação pode estar comprometendo o atendimento de pacientes oncológicos.
“É um verdadeiro amadorismo, um verdadeiro crime. As peças precisam estar em potes limpos, de vidro, com tampa de rosca, para evitar contato com a atmosfera. Isso é um escracho com a população”, afirmou o presidente do corpo clínico do hospital, Júlio Noronha. Ele foi o responsável por encaminhar à DPU as imagens que mostram os potes com esparadrapo nas tampas e sem identificação clara.
A direção do hospital alegou à Defensoria que o acúmulo de material é consequência da falta de patologistas disponíveis para realizar os laudos. Em nota enviada ao RJ2, a administração afirmou ter sido surpreendida pela denúncia e garantiu que já disponibiliza recipientes adequados para as equipes. Ainda assim, prometeu reforçar o treinamento dos funcionários.
O hospital também declarou que o reaproveitamento dos potes não compromete a integridade das amostras nem os resultados dos exames. Em relação à demora nas análises, informou que está em fase final de licitação para contratar uma empresa responsável pelos serviços de biópsia, com previsão de início na próxima quarta-feira.
A Defensoria Pública da União deve encaminhar um relatório ao Ministério da Saúde com os registros da vistoria e cobrar providências para garantir o direito dos pacientes à saúde e ao diagnóstico em tempo hábil.






