Marcola tem pedido de liberdade negado e Justiça mantém prisão em operação que atingiu Deolane

Investigação aponta que esquema financeiro do PCC teria continuado a operar mesmo com Marcola encarcerado em presídio federal

A Justiça de São Paulo rejeitou nesta quarta-feira (3) um pedido de liberdade apresentado pela defesa de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como principal liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão mantém a prisão preventiva decretada contra ele no âmbito da Operação Vernix, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa e que também teve como alvo a influenciadora Deolane Bezerra.

A análise ocorreu após a defesa apresentar um habeas corpus alegando que a nova prisão seria desnecessária, já que Marcola cumpre pena desde 1999 e atualmente está recolhido na Penitenciária Federal de Brasília, uma das unidades de segurança máxima do país. Os advogados sustentaram que o líder da facção permanece sob monitoramento constante e possui contato extremamente restrito com o ambiente externo.

Justiça vê indícios de continuidade criminosa

Ao negar o pedido liminar, a desembargadora responsável pelo caso entendeu que não há ilegalidade evidente capaz de justificar a revogação imediata da prisão preventiva. A magistrada determinou que o mérito do habeas corpus seja analisado posteriormente pelo colegiado da 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A decisão destaca que o fato de Marcola já estar preso por condenações anteriores não impede a decretação de uma nova prisão preventiva. Segundo o entendimento judicial, as medidas possuem fundamentos jurídicos distintos e podem coexistir quando houver elementos que indiquem novos crimes ou continuidade das atividades ilícitas.

Para a Justiça, os documentos reunidos durante a investigação sugerem que integrantes da organização criminosa continuaram atuando mesmo durante o período em que Marcola permaneceu encarcerado em presídios federais de segurança máxima.

Operação mira estrutura financeira do PCC

A Operação Vernix investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. De acordo com o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil, a organização utilizaria empresas de transporte de cargas para movimentar recursos e dificultar o rastreamento dos valores obtidos ilegalmente.

A investigação teve origem em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos encontrados com presos ligados à facção. A partir desse material, foram abertos diversos inquéritos que, segundo os investigadores, revelaram diferentes camadas da estrutura financeira da organização criminosa.

Um dos pontos centrais da apuração envolve a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda., apontada como peça-chave do esquema. Relatórios de inteligência financeira mencionados na decisão judicial indicariam movimentações incompatíveis com as declarações fiscais dos investigados e mecanismos destinados a ocultar a origem dos recursos.

Deolane também é investigada

A investigação alcançou ainda a influenciadora e advogada Deolane Bezerra. Segundo os investigadores, contas bancárias atribuídas a ela teriam sido utilizadas em operações financeiras sob análise. A influenciadora foi presa em sua residência, em Barueri, na Grande São Paulo, durante o avanço da operação.

A defesa de Deolane afirma que ela é inocente e sustenta que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo. Já os investigadores apontam movimentações financeiras, relações empresariais e transações que estão sendo examinadas para verificar eventual vínculo com o esquema investigado.

Defesa promete continuar batalha judicial

Após a decisão, o advogado de Marcola afirmou que o indeferimento tem caráter preliminar e provisório e destacou que os argumentos apresentados pela defesa ainda serão analisados pelo colegiado do Tribunal de Justiça.

Entre os pontos levantados pelos advogados estão a suposta ausência de fundamentação individualizada da prisão, a alegação de que os fatos investigados ocorreram entre 2021 e 2022 e questionamentos sobre procedimentos adotados após a decretação da medida cautelar.

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