Promotor afirma que Deolane tinha relação íntima com família de Marcola

Promotor Lincoln Gakiya afirma que influenciadora teria ligação próxima com integrantes da cúpula do PCC e participação em esquema de lavagem de dinheiro

A prisão da influenciadora Deolane Bezerra ganhou novos desdobramentos após declarações do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável por investigações envolvendo o Primeiro Comando da Capital. Segundo ele, a influenciadora manteria uma relação “direta e íntima” com familiares de Marco Willians Herbas Camacho, apontado como líder máximo da facção criminosa.

Deolane foi presa durante a operação Vérnix e transferida para uma unidade prisional no interior de São Paulo. A investigação apura supostos crimes de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. A defesa nega qualquer irregularidade e sustenta que a influenciadora atuava apenas como advogada criminalista.

Ligação investigada

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Lincoln Gakiya afirmou que as investigações revelaram proximidade entre Deolane e integrantes da família Camacho. O promotor citou supostas relações com Paloma e Alexandro, filhos de Alejandro Juvenal Herbas Camacho, conhecido como Marcolinha e irmão de Marcola.

Segundo o Ministério Público, a investigação identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pela influenciadora. Gakiya afirmou que o patrimônio de Deolane teria crescido mais de R$ 140 milhões em um intervalo de dois anos, entre 2020 e 2022.

O promotor declarou ainda que ela deverá ser denunciada por participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. A defesa contesta as acusações e afirma que todos os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.

Investigação internacional

As investigações também apontam que Paloma Camacho teria papel estratégico na movimentação de recursos ligados à família de Marcola. A polícia tentou prendê-la na Espanha durante a operação, mas ela não foi localizada e passou a ser considerada foragida.

De acordo com o Ministério Público, Paloma seria responsável pela interlocução financeira do grupo e utilizaria contas próprias e de terceiros para movimentações suspeitas. O relatório ainda aponta que Deolane e Paloma chegaram a morar próximas e estiveram simultaneamente na Europa durante parte deste ano.

A influenciadora teria deixado a Itália antes de uma possível ação da Interpol e acabou presa em Barueri, na Grande São Paulo.

Defesa pede prisão domiciliar

Durante audiência de custódia, Deolane chorou ao afirmar que foi presa “no exercício da profissão”. Segundo ela, os fatos investigados envolvem depósitos recebidos enquanto atuava como advogada criminalista.

A defesa pediu a revogação da prisão preventiva ou a substituição da medida por prisão domiciliar. Os advogados argumentaram que Deolane é mãe de uma criança de 9 anos e citaram entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre prisão domiciliar para mulheres com filhos menores em casos sem violência ou grave ameaça.

Mesmo assim, a Justiça decidiu manter a prisão preventiva da influenciadora. Em nota, os advogados afirmaram que ela é inocente e classificaram as medidas como desproporcionais.

Marcola e o PCC

A investigação também voltou a colocar no centro do debate o nome de Marcola. Preso desde 2019 em um presídio federal de segurança máxima em Brasília, ele continua sendo apontado por autoridades como liderança do PCC.

A defesa de Marcola rebate as acusações e afirma que é praticamente impossível que ele mantenha o comando da facção dentro do sistema penitenciário federal, devido ao monitoramento permanente das comunicações.

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