Em entrevista ao GLOBO, Extra, Valor e CBN, o deputado federal Marcelo Freixo (PSB), candidato ao governo do Rio, atacou o governador Cláudio Castro mirando nos casos de corrupção, como o Ceperj. Ele rebateu as críticas de Rodrigo Neves (PDT) sobre sua mudança de postura em assuntos como a liberação das drogas, mostrando um discurso de aproximação ao centro, e afirmou que a “milícia ajuda a eleger senadores e deputados’. Além de citar denúncias recebidas de que a milícia usará crianças como informantes nas eleições, mas sem apresentar evidências.
Freixo prometeu paridade de gênero no secretariado, cuidar da polícia e cumprir com o regime de recuperação fiscal, sem, no entanto, deixar de investir no social. Ele disse ainda que é necessário acabar com a máfia instalada no governo do Rio para que o estado volte a crescer.
— Não fui eu que mudei, foi o Brasil que mudou. O que mudou não foi minha foto, foi a foto do Brasil. Nós temos um presidente da República que manda jornalista calar a boca, que ameaça instituições. A gente precisa ter responsabilidade com essa mudança. Não podemos fazer a mesma coisa, porque não foi suficiente — justifica Freixo, acrescentando que não foi uma mudança de discurso, mas de opinião. — Essa mudança passa por eu ter conseguido, ao longo de um ano e meio, conversar com as mulheres pobres, conversar com as mães, conversar com as pessoas que vivem em um lugar onde tem droga, tem arma e tem morte. Isso passa pela capacidade de escutar as pessoas e sim, mudar de opinião.
“Não podemos confundir matança com segurança”
Questionado sobre a flexibilização do seu discurso em relação à segurança pública e, consequentemente, à legalização das drogas, Freixo reafirmou que a mudança de opinião se deve à escuta de pessoas que vivem a realidade dos confrontos em comunidade:
— Mudei de opinião, mas sem incoerência. É necessário mudar a estrutura da polícia. Isto cabe ao governador. Não podemos confundir matança com segurança. Cabe ao governador não permitir chacinas. Hoje o Rio tem 8 mil policiais civis, mas o déficit é de 15 mil. Um policial ganha 12 reais de vale refeição por dia. O estado não garante plano de saúde. Armas e drogas não são produzidas na favela. Talvez, fiscalização talvez seja mais importante do que operações.
Freixo também respondeu a acusação do adversário Rodrigo Neves, na segunda-feira, sobre supostas omissões do candidato em relação a violações dos direitos humanos, como o massacre no Jacarezinho.
— Eu tenho uma história ligada aos direitos humanos que esse meu adversário não tem. Eu tenho uma história de muita luta e muitos resultados, para falar dessa história é preciso ter respeito — disse Freixo, afirmando que “direitos humanos e segurança pública são a mesma coisa”. — Em qual país desenvolvido e democrático os direitos humanos se opõem à segurança pública? Não há. (Dizem) que falar de direitos humanos é ser contra a polícia. Não, não é. A gente tem que cuidar da polícia.
Questionado se irá recriar a Secretaria de Segurança, Freixo afirmou que pretende criar uma superintendência que irá abrigar as polícias Civil e Militar, a Secretaria de Administração Penitenciária e uma secretaria de Ação Social. O órgão será ligado diretamente ao governador.
— O que as polícias querem é autonomia administrativa e financeira, por isso que eles temem a volta de uma Secretaria de Segurança. Nesse ponto eles estão certos. Mas tem um problema. Você não pode não ter um lugar onde política pública será construída — explica.
“Milícia ajuda a eleger senadores e deputados”
Ao tratar do avanço do domínio territorial das milícias, apesar da CPI das Milícias, Freixo afirmou que é necessário interromper o fluxo econômico que permite a expansão dos grupos paramilitares. Afirmou ainda que há má vontade de combater este tipo de crime por interesses partidários:
— Em 2008, fizemos um mapa e um relatório ao final da CPI das milícias. Prendemos líderes do crime e deputados que trabalhavam comigo, que dividiam o parlamento. Enfrentamos o crime dentro do poder. Não me arrependo, apesar dos riscos e ameaças. Era necessário, naquela ocasião, tirar deles o domínio de territórios e o transporte alternativo. É necessário cortar a fonte econômica. Mas, a milícia ajuda a eleger muita gente. Senadores, deputados. Estamos falando da máfia que se organiza e transforma domínio territorial em domínio eleitoral.
Freixo, no entanto, não citou nomes. Mas relembrou que muitos foram presos na época da CPI.
— Basta ver quem as milícias apoiam, e eles não escondam — afirmou.
O candidato ainda acusou a milícia de treinar crianças para ser informantes, mas não apresentou evidências.
— (Disseram-me que) milícias estão treinado crianças para acompanharem eleição, para fiscalizar eleição. Eu recebi essa denúncia e estou dizendo aqui que é grave.
Assista à integra da sabatina de Freixo:






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