Após mais de dez anos de reivindicações, prefeitura começa a demolir muro na Praça Sarah Kubitschek

Intervenção atende a demanda de pelo menos 15 anos de moradores para aumentar segurança e visibilidade na região; mural de Millôr Fernandes será transferido para escola municipal no mesmo bairro

A Secretaria Municipal de Conservação deu início, nesta segunda-feira (27), à demolição do muro da Praça Sarah Kubitschek, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A derrubada da estrutura, localizada na Avenida Nossa Senhora de Copacabana — entre as ruas Djalma Ulrich e Almirante Gonçalves —, marca o começo de uma requalificação completa do espaço e atende a uma demanda antiga dos moradores da região. A medida tem como objetivo reduzir problemas de segurança pública e integrar a praça à calçada.

A retirada do muro é uma reivindicação que se arrasta por mais de 15 anos. Ainda em 2009, moradores e comerciantes da região já se mobilizavam contra o muro e chegaram a se reunir com vereadores da Câmara do Rio, incluindo o atual presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD). Em 2015, um abaixo-assinado liderado pelo parlamentar, que contou com mais de três mil assinaturas, reforçou a pressão por mudanças.

Uma das principais reclamações era que a estrutura enclausurava a praça, criando pontos de ocultação e baixa visibilidade, o que favorecia o abandono e uso do espaço para consumo de drogas. Com a abertura total para a rua, a prefeitura espera aumentar a circulação de pedestres e a sensação de segurança no entorno.

“Conseguimos, após uma longa batalha junto a diversos órgãos públicos, transformar reivindicação popular em política efetiva para devolver segurança ao bairro, respeitando a sua memória”, afirmou Caiado.

Praça passará por requalificação

A demolição integra um projeto mais amplo de requalificação da Praça Sarah Kubitschek, coordenado pela Secretaria Municipal de Conservação. Entre as intervenções previstas estão a recuperação do piso, instalação de rampas de acessibilidade, reforma de escadas e revitalização do mobiliário urbano, como bancos e mesas de xadrez.

O projeto também inclui a criação de uma área infantil com novos brinquedos, parede de escalada e piso emborrachado, além da integração completa da praça com a calçada, ampliando a visibilidade e o uso do espaço.

O muro abrigava um painel inspirado na obra do escritor e cartunista Millôr Fernandes, ponto histórico do entorno. Para viabilizar a demolição, segundo o vereador Flávio Valle (PSD), a prefeitura optou por preservar o conteúdo por meio da reprodução do mural na parede da Escola Municipal Cócio Barcellos, também em Copacabana. A solução buscou conciliar a retirada da estrutura com a manutenção da referência cultural presente no local.

“Com a remoção desse muro, vamos finalmente ter um espaço aberto e mais seguro para todos, refletindo o desejo da própria vizinhança. E, ao reconstruí-lo, vamos eternizar nele a célebre frase de Millôr Fernandes, no muro da Escola Municipal Cócio Barcellos, reforçando a preservação cultural e democrática da obra”, disse Valle.

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