Mangueira convida para desfilar mototaxista baleado por PM da reserva e liga violência ao enredo da escola

Escola diz que enredo “reafirma a realidade do povo preto do Rio de Janeiro”

A Mangueira usou suas redes sociais para anunciar que convidou o mototaxista Thiago Marques para desfilar no Sambódromo. A escola será a última a entrar na avenida no domingo, primeiro dos três dias programados para o Grupo Especial deste ano.

Na madrugada da última segunda-feira, Thiago aceitou a corrida solicitada pelo estudante Igor Melo de Carvalho, de 31 anos. Quando passavam pelo Viaduto João XXII, na Penha, Zona Norte do Rio, foram interceptados pelo policial militar da reserva Carlos Alberto de Jesus que confundiu os dois com a dupla que teria roubado o celular da mulher que estava em sua companhia. O PM disparou duas vezes contra a moto e atingiu Igor nas costas. Levado por policiais, Thiago ficou 17 horas preso e só foi solto na tarde de terça-feira após audiência de custódia.

Na postagem feita na tarde desta quinta-feira, a verde e rosa afirma que o enredo da escola no carnaval deste ano “além de exaltar os povos bantos, reafirma a realidade do povo preto do Rio de Janeiro” que todos os dias convive e é alvo do “risco iminente de virar estatística”.

O texto segue: “Num momento de tristeza, convidamos o mototaxista Thiago Marques para estar conosco no desfile e gritar junto com a Estação Primeira que somos sobreviventes, mas que também somos a base social e cultural de uma cidade que ignora a existência do seu povo. Thiago, ficamos felizes em recebê-lo. Nossa nação te abraça e luta ao seu lado para que num futuro os nossos deixem de ser alvo. Vamos juntos pra avenida, pisando forte e cantando nosso samba de coração aberto”.

A publicação termina com uma citação ao samba-enredo da escola deste ano: ““O alvo que a bala insiste em achar, lamento informar, um sobrevivente!”. Na foto, Thiago aparece ao lado da presidente da escola Guanayra Firmino e do carnavalesco Sidnei França.

Ontem, a Mangueira publicou a capa do EXTRA que estampava o verso do samba e a foto de Igor durante uma cobertura que o estudante de comunicação fez durante um jogo do Botafogo no Maracanã. “O risco iminente de ser achado por uma bala que vem de um algoz — O trecho do nosso samba é utilizado para retratar a realidade que o povo preto, pobre e favelado passa diariamente.

‘Não há como atribuir à mera coincidência o fato de a maioria das mortes da sociedade carioca continue sendo de meninos e homens negros e pardos, assim como eram as taxas dos pretos novos do cemitério homônimo que foi descoberto à flor da terra. A história se repete, a pergunta é até quando? Força e justiça por Igor Melo!”, escreveu a agremiação na publicação, junto à primeira parte do jornal.

Na decisão em que decidiu soltar Thiago durante a audiência de custódia, a juíza Rachel Assad da Cunha, da 29ª Vara Criminal da Capital, afirmou que “todas as informações que tanto Carlos Alberto quanto Josilene teriam confundido os ora custodiados com os supostos autores do crime de roubo, de forma que os indícios de autoria restam totalmente esvaziados, impondo a imediata soltura dos custodiados.”

Com informações do Extra on Line

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