O Rio de Janeiro entra, nos próximos meses, sob influência de um dos fenômenos climáticos mais observados do planeta: o El Niño. A previsão de temperaturas acima da média para a primavera e o verão acende o alerta para ondas de calor mais frequentes e intensas, maior pressão sobre serviços públicos e riscos associados a períodos de tempo seco e episódios de chuva forte concentrada.
O fenômeno ganhou mais força nos noticiários cariocas quando um vendaval atingiu a capital na tarde de quarta-feira (29). Rajadas superiores a 100 km/h deixaram mortos, derrubaram árvores, interromperam o fornecimento de energia para mais de meio milhão de consumidores, afetaram aeroportos, trens, metrô e VLT e transformaram ruas em cenários de destruição.

“[Esse vendaval] tem um pouco de relação [com o El Niño], porque já estamos com bloqueios por aqui, temperaturas muito altas, e as frentes frias já estão ficando paradas no Sul. Então, quando uma conseguir passar, vai encontrar um ambiente com muita energia. E os gradientes podem ser massivos, criando eventos extremos tanto de chuva quanto de vento”, explica o professor Márcio Cataldi, do Departamento de Engenharia Agrícola e do Meio Ambiente da Universidade Federal Fluminense (UFF).
O episódio ocorreu nove dias depois de a Prefeitura do Rio apresentar uma estrutura de monitoramento e protocolos para enfrentar os impactos do El Niño. O vendaval, porém, colocou em evidência um desafio que especialistas apontam como central: a diferença entre monitorar riscos e conseguir antecipar a intensidade de eventos extremos.
Segundo a Climatempo, o fenômeno deve ganhar força ao longo do segundo semestre, com impactos que podem começar a ser percebidos já em setembro. No Sudeste, incluindo o estado do Rio, a principal consequência esperada é o aumento das temperaturas. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o comportamento das chuvas tende a ser mais irregular, com possibilidade de temporais localizados e de difícil previsão.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação atmosférica e influencia padrões climáticos em diferentes partes do mundo.
“Não é um fenômeno raro nem uma anomalia causada diretamente pelo aquecimento global. Ele corresponde à fase quente de um ciclo planetário El Niño-Oscilação Sul (ENOS) e é um balanço natural de variabilidade que envolve o oceano e a atmosfera que ocorre no Pacífico Equatorial. Do mesmo jeito que temos fase quente, temos também a fase fria que é chamada de La Niña”, explica o meteorologista Fabio Hochleitner, do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce).
Evolução em alta escala
De acordo com Hochleitner, os episódios costumam ocorrer em intervalos irregulares e apresentam maior intensidade durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O meteorologista afirma que o El Niño chama atenção pela rápida evolução, mas destaca que a intensidade final ainda depende do acompanhamento dos dados.
“O episódio de 2026 merece atenção porque está mostrando uma evolução rápida e um acoplamento oceano-atmosfera relativamente bem definido. Esses elementos indicam que não se trata apenas de um aquecimento superficial ocasional. Há uma resposta atmosférica consistente, caracterizando um fenômeno acoplado, ou seja, o comportamento do oceano provoca efeitos diretos na atmosfera”, explica o profissional
A meteorologista do Centro de Operações Rio, Juliana Hermsdorff, explica que o aquecimento do Pacífico interfere no comportamento da atmosfera em escala global e pode alterar os padrões de temperatura no país.
“Por ele ser mais intenso, acaba influenciando também no globo como um todo. Ele acontece de anos em anos, mas a previsão é que esse El Niño, que já começou a acontecer, atinja um nível mais alto do que o normal” prevê a especialista.

Calor extremo deve ser o principal impacto no Rio
Para o estado do Rio, o principal sinal associado ao El Niño é o aumento das temperaturas. Segundo especialistas, a tendência é de períodos mais quentes, com maior possibilidade de ondas de calor persistentes.
Juliana explica que o Sudeste está entre as regiões que podem sentir esse efeito de forma mais evidente.
“Para a cidade do Rio e para o sudeste, temos uma influência nas questões das temperaturas. No norte do país pode ter aumento de secas, no sul o aumento de chuvas, e aqui para o sudeste e cidade do Rio, a gente tem maiores chances de ondas de calor e mais frequentes também, além de serem mais intensas”, lista.
Cataldi afirma que o fenômeno ocorre em um momento em que os oceanos já apresentam temperaturas elevadas, o que pode alterar a dimensão dos impactos.
“Tem muita gente comparando esse El Ninõ com outros passados. Só que esse vai acontecer com praticamente todos os outros oceanos do planeta quente também. Alguns com mais de um grau, um grau e meio, como é o caso do Atlântico. Então, os efeitos desse El Niño vão se somar a efeitos de outros oceanos”, explica.
“Isso não aconteceu até hoje. Eles podem tanto intensificar os efeitos do El Ninõ como inibir.”
Márcio Cataldi, do Departamento de Engenharia Agrícola e do Meio Ambiente da UFF
Ilhas de calor
No Rio, o calor não atinge todas as regiões da mesma forma. A combinação entre urbanização, pouca arborização, excesso de concreto e asfalto cria áreas conhecidas como ilhas de calor, onde as temperaturas podem ser mais elevadas.
Segundo Cataldi, regiões como Zona Norte e Baixada Fluminense apresentam essa maior vulnerabilidade.
“Quando a gente pega algumas partes da Zona Sul, que são mais arborizadas, que tem mais parques, essas regiões estão um pouco mais preparadas. Mas quando você começa a ir para a Zona Norte do Rio, Baixada Fluminense, tem muito asfalto, não tem tantos parques, não tem como as pessoas fugirem do calor, mal tem sombra”, explica.

Hochleitner reforça que o aumento das temperaturas precisa ser analisado junto às transformações urbanas.
“Nas cidades ou zonas urbanas, essa condição pode ser amplificada ou potencializada pois, ao longo do tempo, tivemos expansão da impermeabilização do solo, redução de áreas com vegetação, aumento da absorção de radiação solar por concreto e asfalto, armazenamento de calor nas edificações, baixa ventilação em áreas densamente ocupadas, crescimento dessas áreas em regiões naturalmente quentes”, lista o meteorologista.
O risco dos temporais concentrados
Apesar de o calor ser o principal impacto esperado do El Niño no Rio, os especialistas alertam que o fenômeno também pode influenciar o comportamento das chuvas. Diferentemente do que ocorre no Sul do país, onde a relação entre o fenômeno e o aumento das precipitações é mais conhecida, no Sudeste o cenário é mais complexo, com possibilidade de chuvas irregulares e concentradas.
Segundo a Climatempo, episódios de chuva intensa podem se tornar mais frequentes no estado ao longo da primavera e do verão. Esses eventos podem estar associados à passagem de frentes frias, à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e principalmente aos sistemas convectivos, conhecidos popularmente como tempestades de verão.

Fabio Hochleitner reforça que, no Sudeste, não existe uma relação direta entre El Niño e um padrão único de chuva. Segundo ele, outros fatores atmosféricos precisam ser acompanhados.
“A previsão de chuva é mais complexa. Diferentemente do Sul do Brasil, onde a relação entre El Niño e excesso de precipitação é bem determinada, o sinal pluviométrico no Sudeste é espacialmente heterogêneo, ou seja, chuvas irregulares e concentradas”, avalia.
El Niño também pode pesar no bolso
Os impactos do El Niño não ficam restritos ao comportamento do tempo. A alteração nos padrões de chuva e temperatura pode afetar a produção agrícola, o abastecimento e os preços de produtos consumidos pela população.
“O El Niño é muito perigoso também para a economia. Como essa massa de ar que vai descer nessas regiões por conta do El Niño deve persistir pelo menos até dezembro, janeiro, as frentes frias que chegam pelo sul não conseguem avançar para essas regiões mais”, avalia o professor Márcio.

Ele explica que os impactos podem ocorrer tanto pela falta quanto pelo excesso de chuva. Enquanto algumas regiões podem enfrentar redução da produção por causa da seca, outras podem ter prejuízos provocados por precipitações persistentes.
“Pode gerar um colapso, uma diminuição na produção agrícola nessas regiões e, em contrapartida, na região sul, que também é uma região agrícola, mas normalmente mais ligada a arroz e outros tipos de produtos, esse excesso de chuva pode simplesmente acabar com lavouras inteiras”, detalha o especialista.
Entre monitoramento e imprevisibilidade
A discussão sobre a capacidade de antecipar eventos extremos ganhou um exemplo no Rio com a passagem do vendaval na última quarta.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (Redemet) indicaram que a maior rajada foi registrada no Aeroporto Internacional do Galeão, com 105,6 km/h. Também houve registros de 95,4 km/h na Marambaia, 90 km/h em Seropédica, 88,6 km/h em Paraty, 87,5 km/h na Vila Militar e 82 km/h em Jacarepaguá.
Em Santa Teresa, na região central do Rio, um muro desabou sobre duas pessoas na Rua Júlio Otoni, causando a morte de Tássio Maia dos Santos, ex-jogador do Botafogo, e do amigo Vandré Cordeiro. O pescador desaparecido em Mambucaba, na Costa Verde, foi encontrado morto na praia na quinta-feira. A Polícia Civil também investiga se três mortes na Cidade de Deus têm relação com o temporal.
Na manhã seguinte ao evento, cerca de 370 mil clientes da Light ainda permaneceram sem energia elétrica. A Enel informou que 142 mil imóveis ficaram sem fornecimento, principalmente nas regiões de Angra dos Reis, Paraty e Mangaratiba, onde árvores atingiram a rede elétrica e bloquearam acessos para equipes de atendimento.
O episódio também provocou paralisações no transporte. Todos os ramais de trens, as três linhas do metrô e o VLT chegaram a interromper a operação. Aeroportos registraram cancelamentos e desvios de voos, enquanto sinais de trânsito apagados aumentaram os congestionamentos em diferentes bairros.
O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que a intensidade dos ventos ficou acima do que havia sido indicado pelos modelos meteorológicos disponíveis.
“A cidade do Rio de Janeiro tem cerca de 11 estações que medem esse vento, três municipais, três do Instituto Nacional de Meteorologia e outras cinco relacionadas aos aeroportos. E de fato, ontem, o aviso que foi feito no início da tarde era um aviso de ventos muito menos intensos do que acabaram acontecendo, então realmente foi um evento extremo relacionado a esse super El Niño, mais intenso do que estava previsto pelas estações”, alegou.
Onde falhamos?
Especialistas alertam que a existência de radares, estações meteorológicas e sistemas de alerta não elimina a dificuldade de antecipar exatamente a força de determinados eventos extremos.
Apesar da Prefeitura do Rio não ter conseguido prever com exatidão a dimensão do problema, Cataldi explica que previsões podem, de fato, falhar.
“Acho que o poder público, a prefeitura, as próprias defesas de serviço demoraram para dar essa alerta por conta dessa questão, de um certo receio de ser um falso alarme. O importante é que as equipes de defesa civil, os meteorologistas, nós da academia, temos que estar um pouco mais unidos nesse momento para conseguir entender melhor o que está acontecendo e emitir esses alertas a tempo hábil, e a população tem que entender que são previsões. Previsões podem errar, porque são previsões”, ressalta.
Em contrapartida, o meteorologista Giovanni Dolif, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), conseguiu prever as rajadas de vento superiores a 100 km/h que alcançaram São Paulo e RJ. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele reforçou a importância da meteorologia para antecipar riscos e reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.
Hochleitner destaca que a tecnologia avançou, mas ainda existe uma diferença entre previsão e preparação.
“O que digo sempre é que evoluímos muito no entendimento dos fenômenos e na previsão, mas ainda caminhamos muito lento na preparação para as consequências que, claro, são diferentes para cada região. Estamos significativamente melhores em prever e monitorar, mas ainda não avançamos na mesma velocidade em reduzir a exposição e a vulnerabilidade territorial”, enfatizou.
“A tecnologia permite antecipar o risco. O desafio atual é transformar previsão em decisão pública, infraestrutura adaptada e proteção efetiva da população.”
Fabio Hochleitner, do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce)
A prefeitura informou que os protocolos do Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio) foram adotados via Sistema Alerta Rio, que previu a possibilidade de ventos fortes para tarde de quarta-feira .
“Como forma de alerta para a população, foi emitido um Aviso Meteorológico às 14h15 com informações sobre a possibilidade de rajadas atingirem a cidade do Rio a partir da tarde. O COR-Rio divulgou para a população por todos os canais de comunicação, inclusive com recomendações de segurança. O Sistema Alerta Rio monitora a velocidade e direção das rajadas de ventos por sensores próprios, da REDEMET e INMET”, diz a nota.
De acordo com o órgão de meteorologia da Prefeitura do Rio, os ventos intensos observados na quarta-feira, foram ocasionados por uma linha de cisalhamento de vento, que é resultado da diferença de pressão. Quanto maior essa diferença e menor a área de atuação, maior a intensidade dos ventos gerados. A aproximação de uma frente fria oceânica auxiliou neste maior contraste de pressão e os ventos registrados são explicados pelas condições meteorológicas que atuavam sobre a região naquele momento, informou.
“O Centro de Operações reúne tecnologia avançada, com dois radares meteorológicos de chuva, monitorados por uma equipe de meteorologistas do Sistema Alerta Rio, além de sistema de alerta de raios e um parque de mais de 6 mil câmeras espalhadas pela cidade. O COR-Rio funciona 24 horas por dia, com gestão integrada de prevenção e resposta. No momento, a cidade do Rio permanece em Estágio 2 e todos os órgãos seguem atuando para a cidade retornar à normalidade o mais rápido possível”, finalizou.
Rio aposta em protocolos
Apesar de não ter conseguido prever a intensidade do vendaval, a Prefeitura do Rio apresentou, no dia 20 deste mês, um conjunto de medidas de prevenção, monitoramento e resposta para reduzir os impactos da possível intensificação do fenômeno El Niño na cidade.
O principal sistema é o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), que funciona 24h por dia e reúne informações de radares, pluviômetros, estações meteorológicas e acompanhamento de núcleos de chuva, raios e riscos de deslizamento.
A cidade continuará adotando cinco níveis de alerta para o calor. O Calor 1 indica condições normais. No Calor 2, há temperaturas acima de 36°C por um ou dois dias consecutivos. O Calor 3 é acionado quando os termômetros ficam entre 36°C e 40°C por pelo menos três dias seguidos. Já o Calor 4 corresponde a índices entre 40°C e 44°C por três dias ou mais, enquanto o Calor 5 é decretado quando as temperaturas superam os 44°C pelo mesmo período.
A estratégia integra dados meteorológicos e indicadores de saúde para orientar ações voltadas principalmente para idosos, crianças e pessoas em situação de rua.
Juliana Hermsdorff explica que o COR mantém equipes acompanhando as condições atmosféricas continuamente.
“Tem uma equipe de meteorologia aqui no Centro de Operações, monitorando 24h por dia, emitindo boletins, emitindo avisos, fazendo a comunicação para a população quando a gente tem previsão já dessas chuvas e quando elas já estão se aproximando. Observamos já quando elas começam a se formar, se vem com raios, ventos, a gente já vai informando a população um pouco antes delas acontecerem”, afirma.
“Assim como também através de boletins dias antes, se tem essa previsão de uma chuva mais intensa, já emitimos boletins de previsão indicando esse panorama.”
Juliana Hermsdorff , meteorologista do COR
A cidade também afirma investir em ações ambientais para reduzir o calor, como reflorestamento, ampliação de áreas verdes e criação de parques urbanos. O programa Refloresta Rio, segundo a Prefeitura, já realizou o plantio de mais de 10,8 milhões de mudas, enquanto o Planta+Rio tem a meta de plantar mais de 200 mil até 2028.
O município informa ainda que 41% do território carioca está protegido por unidades de conservação e cita a criação de novas áreas ambientais, como o Refúgio de Vida Silvestre das Florestas de Jacarepaguá e a Área de Proteção Ambiental das Lagoas de Jacarepaguá.
A preparação do Rio também envolve obras estruturais para reduzir impactos de chuvas intensas. A Prefeitura afirma manter ações de drenagem, limpeza de rios e canais, contenção de encostas e sistemas de alerta.
O Metrô mais caro que falha
Mesmo cobrando uma tarifa de R$ 7,90, a mais alta do país, o MetrôRio deixou milhares de passageiros à deriva durante o vendaval que atingiu a cidade.
A interrupção das três linhas no horário de maior movimento transformou estações e trens em cenários de caos: usuários ficaram presos dentro de vagões, enfrentaram calor intenso, falta de comunicação e horas de espera, enquanto muitos recorriam às redes sociais para relatar desespero e cobrar explicações da concessionária.
Em um trem parado nas proximidades da estação Maria da Graça, na Zona Norte, dois homens usaram um extintor de incêndio para quebrar o vidro de uma das janelas. A composição estava sem se movimentar havia mais de uma hora. Passageiros relataram que sentiam falta de ar e uma idosa passava mal no momento, e que o rapaz quebrou o vidro para ajudar a circulação.
O MetrôRio atribuiu a paralisação a uma falha no fornecimento de energia elétrica que ainda atinge parte da cidade e confirmou que algumas composiçoes ficaram paradas nas vias.
Energia, saúde e infraestrutura
O governo federal decidiu antecipar o início do fornecimento de energia de contratos de reserva de capacidade, acrescentando 1,8 gigawatt ao Sistema Interligado Nacional a partir de setembro.
A medida foi tomada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico diante dos possíveis impactos do El Niño, principalmente pelo aumento do consumo provocado pelo uso de equipamentos de refrigeração.
Para especialistas, ondas de calor prolongadas também podem elevar a demanda dos serviços de saúde.
“As ondas de calor podem ocasionar uma grande pressão no sistema de saúde. Então, você começa a ter muita gente com onda de calor e aí você pressiona o sistema público de saúde”, avalia Cataldi.
A população idosa está entre os grupos mais vulneráveis. Para o professor, campanhas de orientação são necessárias porque parte desse público pode não perceber a necessidade de aumentar a ingestão de água durante períodos de calor intenso.

Além dos impactos sobre a saúde da população em geral, eventos extremos também ampliam a vulnerabilidade de pessoas com deficiência. Ondas de calor, interrupções no fornecimento de energia, falhas no transporte público e dificuldades de mobilidade podem comprometer o acesso a serviços essenciais, equipamentos de tecnologia assistiva e atendimento médico.
Medidas para o futuro
Para Cataldi, medidas de adaptação serão fundamentais para enfrentar um futuro com temperaturas mais altas. O professor aponta três caminhos principais: arborização urbana, criação de pontos de refrigeração e educação ambiental.
Segundo o especialista, o desafio não é apenas prever o próximo evento extremo, mas preparar a cidade para um cenário em que eles podem se tornar mais frequentes.
“O calor extremo não deve mais ser tratado como uma ocorrência excepcional fora do planejamento ou do entendimento de nós, meteorologistas. Ele já integra os cenários meteorológicos, climáticos, sanitários, energéticos e urbanos”, enumera.
“A tecnologia permite antecipar o risco. O desafio atual é transformar previsão em decisão pública, infraestrutura adaptada e proteção efetiva da população.”
Fabio Hochleitner
Em caso de emergência, confira os números:
- Central de Atendimento ao Cidadão da Prefeitura do Rio de Janeiro: 1746.
- Bombeiros: 193
- Polícia: 190
- Ambulância: 192
- Defesa Civil: 199






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