O clima entre Eduardo Paes (PSD) e Cláudio Castro (PL) tem ficado cada vez mais azedo. Nesta quinta-feira (12), o prefeito, que é pré-candidato na disputa pelo Palácio da Guanabara, voltou tecer críticas a Castro na esteira da prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), acusado pelo governador de ser “braço direito do Comando Vermelho”.
O alcaide republicou um vídeo nas redes sociais do posicionamento do líder de governo na Câmara do Rio, Márcio Ribeiro (PSD), que usou a tribuna do velho Palácio Pedro Ernesto para atacar a forma como a prisão foi conduzida e sugerir, indiretamente, que a detenção é uma forma de calar parlamentares contrários a Castro e aliados. O tema, aliás, tomou conta da sessão plenária.
Junto ao vídeo compartilhado, Paes, que já havia acusado o governo estadual de utilizar politicamente as forças de segurança, voltou a defender que a prisão é uma “injustiça” contra o vereador.
“Não vamos deixar que a injustiça cometida contra o vereador Salvino Oliveira fique impune. Ele será libertado e iremos até as últimas consequências para responsabilizar essa máfia que tomou conta do Palácio da Guanabara”, escreveu o alcaide, republicando o posicionamento do deputado federal Pedro Paulo (PSD), que chegou a pedir uma investigação da Polícia Federal sobre suposto uso político da Polícia Civil do Rio.

Prisão de Salvino Oliveira
Salvino Oliveira foi preso na quarta-feira (11) durante a operação Contenção Red Legacy, conduzida pela Polícia Civil contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho. Além do parlamentar, seis policiais militares também foram presos.
Segundo a investigação, o vereador teria sido preso por conta de uma “série de indícios” de ligação com a facção, incluindo negociações com traficantes para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul durante as eleições de 2024. Em troca, de acordo com a polícia, o parlamentar teria atuado para viabilizar vantagens ao grupo criminoso, entre elas a instalação de quiosques na região.
O diretório regional do PSD no Rio chegou a anunciar que apresentará representação criminal contra Cláudio Castro e o secretário da Polícia Civil do Estado do Rio, Felipe Curi. A sigla também informou que acionará o Ministério Público do Estado (MPRJ) para investigar eventual prática de improbidade administrativa.
Caso chegou a provocar reação da Câmara dos Vereadores
Até o presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD), que não costuma ir à tribuna para comentar os embates, se posicionou sobre a prisão de Salvino durante a sessão.
“O inquérito dá a entender que o fato de o vereador Salvino Oliveira morar na favela, na Cidade de Deus, implicaria alguma coisa. E vai além: sugere que, por ele ser relator da comissão especial que trata das políticas públicas para as favelas, haveria indícios de envolvimento com o crime. Todos nós, vereadores, conhecemos e participamos desse trabalho de entrar nas comunidades, conversar com os moradores e lutar para levar benfeitorias. Agora eu pergunto: levar melhorias para uma comunidade significa fazer ou buscar parceria com facção, seja milícia ou tráfico de drogas? Claro que não”, declarou Caiado.
O vereador afirmou que a prisão é um momento “difícil” para o legislativo e defendeu cautela enquanto o caso é analisado pela Justiça. Caiado disse ainda que a Diretoria de Segurança Legislativa e a Procuradoria da Casa têm acompanhado o caso junto ao gabinete e à defesa de Salvino.
A Mesa Diretora da Câmara chegou a publicar uma nota em que afirma considerar haver uma tentativa de associar o debate sobre as políticas voltadas às favelas com a criminalidade.
Leia a nota da Câmara Municipal na íntegra:
“Em função de a Comissão Especial de Políticas Públicas para as Favelas ter sido citada no inquérito que levou à prisão do vereador Salvino Oliveira como meio facilitador para relações criminosas, a Câmara Municipal do Rio esclarece:
É inaceitável qualquer tentativa de associar o debate sobre políticas voltadas às comunidades a indícios de atividade criminosa. Nascer ou morar em favela não pode ser tratado como sinal de irregularidade e, muito menos, crime.
Da mesma forma, participar de uma comissão parlamentar dedicada a discutir os desafios das comunidades é parte legítima do exercício do mandato e da representação de milhões de cariocas que vivem nesses territórios.
Em função de a Comissão Especial de Políticas Públicas para as Favelas ter sido citada no inquérito que levou à prisão do vereador Salvino Oliveira como meio facilitador para relações criminosas, a Câmara Municipal do Rio esclarece:
É inaceitável qualquer tentativa de associar o debate sobre políticas voltadas às comunidades a indícios de atividade criminosa. Nascer ou morar em favela não pode ser tratado como sinal de irregularidade e, muito menos, crime.
Da mesma forma, participar de uma comissão parlamentar dedicada a discutir os desafios das comunidades é parte legítima do exercício do mandato e da representação de milhões de cariocas que vivem nesses territórios“.






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