O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para ir à Nova York, onde participará, na próxima semana, da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Será sua terceira presença no evento desde que voltou ao Palácio do Planalto. A reunião é tratada como prioridade na agenda internacional do governo, tanto pela tradição diplomática quanto pela oportunidade de projetar a posição brasileira em temas globais.
Em seus três mandatos, Lula só deixou de comparecer em 2010, quando enviou o então chanceler Celso Amorim em seu lugar por estar envolvido diretamente na campanha que resultou na eleição de Dilma Rousseff.
Neste ano, além do discurso de abertura, previsto para o dia 23, Lula terá a Cúpula do Clima no dia seguinte, encontro em que países devem apresentar novas metas de redução de emissões e planos de adaptação às mudanças climáticas. O Brasil espera aproveitar o espaço para avançar nas negociações rumo à COP30, marcada para novembro de 2025, em Belém, primeira cidade amazônica a sediar o evento.
Crise com os Estados Unidos
A participação de Lula acontece no pior momento da relação entre Brasil e Estados Unidos. O governo de Donald Trump reagiu ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), impondo tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros e restringindo vistos de ministros da Corte.
Além das sanções comerciais, a Casa Branca aplicou a chamada Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, bloqueando transações financeiras dele em território sujeito às regras estadunidenses. Washington classificou as condenações como “caça às bruxas”, em referência ao julgamento do núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado.
Resposta em artigo ao New York Times
Antes de viajar, Lula publicou neste domingo (14) um artigo no jornal estadunidense The New York Times direcionado ao presidente Trump. “Presidente Trump, continuamos abertos a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos”, escreveu o petista, em tom diplomático.
No texto, porém, deixou claro os limites da negociação: “A democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta”. Lula também contestou as críticas dos EUA ao Supremo e afirmou sentir orgulho da “decisão histórica” da Corte, que segundo ele “salvaguarda nossas instituições e o Estado Democrático de Direito”.
Defesa do STF e da democracia
Na última semana, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro e outros sete réus considerados parte central da trama golpista que buscou reverter o resultado das eleições de 2022. A sentença levou Washington a prometer uma “resposta adequada” contra o que chamou de perseguição política.
Lula, no entanto, reforçou no artigo que o julgamento foi conduzido dentro da legalidade e que se tratou de um processo essencial para proteger a Constituição de 1988. Ele destacou ainda que as investigações revelaram planos de assassinato contra autoridades e a elaboração de um decreto para anular as eleições, o que justificaria a gravidade das penas impostas.
Clima e diplomacia em pauta
Além da disputa com os Estados Unidos, a viagem deve colocar Lula em contato com líderes de outros países em um momento em que o Brasil busca reposicionar sua imagem internacional. O discurso na ONU será acompanhado de perto, já que o presidente pretende vincular a defesa da democracia interna à luta global contra as mudanças climáticas, tema central da Cúpula e da futura COP30.
Com a agenda em Nova York, o governo brasileiro tenta mostrar resiliência diante das pressões externas, reafirmando a soberania nacional ao mesmo tempo em que busca abrir espaço para negociações multilaterais que fortaleçam o papel do país na arena internacional.






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