Lula sobre Nossa Senhora: “Ninguém vai avacalhar enquanto eu for presidente”

Presidente defendeu respeito a todas as religiões durante ato em Belém e chamou a Igreja Batista da Lagoinha de mentirosa

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou novamente na polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida nesta segunda-feira (28). Durante ato de campanha em Belém, no Pará, o candidato à reeleição afirmou que não aceitará desrespeito à santa enquanto estiver no comando do Palácio do Planalto.

“Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém”, afirmou Lula.

A declaração ocorre em meio à repercussão de uma informação falsa que passou a circular nas redes sociais associando o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Não existe atualmente um projeto de Flávio com esse objetivo. A história difundida nas redes foi associada a uma proposta apresentada por outro parlamentar há quase duas décadas e arquivada em 2008. Flávio nega qualquer intenção de retirar o título da santa.

Lula critica Igreja da Lagoinha

No discurso, Lula ampliou a declaração para defender o respeito às diferentes crenças religiosas, mencionando expressamente as religiões de matriz africana.

“As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive as religiões de matriz africana. É preciso. Ninguém é dono da verdade”, disse o presidente.

Na sequência, Lula atacou a Igreja Batista da Lagoinha e mencionou o pastor André Valadão e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

“A única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha, daquele pastor chamado Valadão, que era sócio do Vorcaro”, afirmou.

Segundo a reportagem que revelou a declaração, a Igreja Batista da Lagoinha, com sede em Belo Horizonte, recebeu repasses de investigados ligados a Vorcaro, conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A afirmação de Lula sobre uma sociedade entre Valadão e Vorcaro, porém, foi feita pelo próprio presidente no ato de campanha.

Lula também cobrou investigações sobre os envolvidos no caso relacionado ao ex-banqueiro. Em outra declaração durante o evento, afirmou querer que os fatos sejam apurados para identificar quem teria se apropriado de dinheiro.

Flávio chama caso de maior fake news da campanha

Horas antes, Flávio Bolsonaro voltou a reagir à controvérsia. O candidato do PL classificou como falsa a informação de que pretenderia retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida e comparou os efeitos políticos do episódio à facada sofrida por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), durante a campanha presidencial de 2018.

“Eu acho que eu posso considerar uma espécie de facada essa fake news em mim”, declarou Flávio durante entrevista ao podcast SantoFlow.

O senador também atribuiu ao PT a disseminação da informação. Em outra manifestação, chegou a afirmar que pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teriam ajudado na propagação do conteúdo. A entidade negou participação em articulação político-partidária.

A disputa chegou à Justiça Eleitoral. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de publicações que divulgavam a informação falsa sobre Flávio e Nossa Senhora Aparecida. A controvérsia posteriormente chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), após decisão do ministro Flávio Dino envolvendo conteúdos retirados das redes.

Imagens religiosas entram na reta final da campanha

A religião ganhou ainda mais espaço nas agendas dos presidenciáveis nesta segunda. Pela manhã, durante caminhada em São Paulo ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio recebeu de uma pessoa presente no ato uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. O senador e Tarcísio levantaram juntos a imagem diante dos apoiadores.

No encerramento do comício em Belém, Lula também recebeu uma imagem religiosa. O candidato do MDB ao Senado pelo Pará, Helder Barbalho, entregou ao presidente uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

A sucessão de episódios mostra como a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida passou a ocupar espaço na reta final da campanha presidencial, enquanto Flávio tenta desvincular seu nome da informação falsa e Lula incorpora o tema aos discursos sobre respeito religioso.

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