Lula quer usar emendas parlamentares para bancar transporte gratuito nos fins de semana

Em entrevista ao SBT, presidente afirmou que pretende destinar parte das emendas parlamentares ao custeio do transporte público gratuito aos fins de semana, com previsão de início em 2027

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta segunda-feira (19) que pretende financiar a gratuidade do transporte público coletivo nos fins de semana com recursos atualmente destinados às emendas parlamentares. A proposta, apresentada durante entrevista ao SBT, prevê permitir que trabalhadores e suas famílias utilizem o transporte sem pagar passagem aos sábados e domingos, a partir de 2027.

Lula reconheceu que a medida deverá enfrentar negociações difíceis com o Congresso Nacional, já que envolve recursos cuja destinação é definida pelos parlamentares. Apesar disso, demonstrou confiança de que deputados e senadores poderão apoiar a iniciativa diante dos benefícios para a população.

“Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional. Mas isso é uma parte da democracia. Todo deputado vai querer fazer uma concessão das suas emendas, para permitir que os seus eleitores possam passear no final de semana e visitar parentes. Eu, sinceramente, acho que não vai ter problema”, declarou o presidente.

A proposta ainda depende da definição de regras de funcionamento, estimativas de custo e mecanismos para transferir os recursos necessários ao financiamento da gratuidade.

Lula quer redirecionar recursos das emendas parlamentares

A principal novidade apresentada pelo presidente foi a indicação de uma fonte de financiamento para a política de transporte gratuito.

As emendas parlamentares são instrumentos utilizados por deputados e senadores para direcionar recursos do Orçamento federal a obras, serviços e projetos públicos.

Ao propor a utilização de parte dessas verbas, Lula sinalizou que pretende negociar com o Congresso uma mudança na destinação de recursos que atualmente atendem a prioridades indicadas pelos parlamentares.

A iniciativa, porém, exigirá a definição de critérios orçamentários e jurídicos para assegurar o custeio do serviço, que envolve sistemas de transporte administrados por estados, municípios e operadores públicos ou privados.

Durante a entrevista, o presidente afirmou acreditar que os congressistas poderão apoiar a proposta por seus efeitos sobre a vida cotidiana dos eleitores.

A declaração não representa, contudo, um acordo já firmado com o Legislativo. Até o momento, o material divulgado não apresenta o montante necessário para financiar a gratuidade nem o percentual das emendas que seria destinado ao programa.

Transporte gratuito é associado ao fim da escala 6×1

Lula relacionou a proposta à ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores, especialmente após a promulgação do fim da escala de trabalho 6×1, mencionada durante a entrevista.

Na avaliação do presidente, garantir mais dias de folga precisa ser acompanhado de medidas que permitam à população aproveitar esse período.

O custo das passagens, segundo o argumento apresentado por Lula, pode limitar as possibilidades de lazer e convivência familiar, sobretudo entre trabalhadores de menor renda.

“Não adianta você dar dois dias para descansar e não ter como passear, ou visitar um parente. Então nós vamos fazer isso. De onde é que vai sair dinheiro? Nós vamos tirar das emendas parlamentares”, explicou.

A ideia defendida pelo presidente é que a gratuidade nos fins de semana facilite deslocamentos para atividades culturais, recreativas e visitas a familiares, sem comprometer parte do orçamento doméstico com passagens.

A proposta também coloca o transporte público no centro das discussões sobre a utilização do tempo livre e o acesso da população aos espaços urbanos.

Proposta deve enfrentar negociação com o Congresso

A utilização de emendas parlamentares para custear o transporte gratuito tende a exigir articulação política entre o Executivo e o Legislativo.

Isso porque a destinação desses recursos integra as negociações orçamentárias e envolve interesses de parlamentares, estados e municípios.

Embora Lula tenha demonstrado confiança na aprovação da iniciativa, ainda não foram apresentados detalhes sobre a forma como as emendas seriam utilizadas.

Também não está definido se a gratuidade será financiada exclusivamente por recursos federais ou se haverá participação financeira de estados e municípios.

Outra questão a ser esclarecida é o alcance da medida, incluindo os sistemas de transporte que poderão ser contemplados e as condições para a adesão dos governos locais.

A operacionalização do programa deverá considerar as diferenças entre as redes de transporte das capitais, regiões metropolitanas e municípios de menor porte.

A proposta também exigirá mecanismos de compensação financeira aos operadores do transporte coletivo, para que a gratuidade não comprometa a manutenção dos serviços.

Governo prevê início da gratuidade em 2027

Segundo a previsão apresentada por Lula, o transporte público gratuito aos fins de semana poderá começar a funcionar em 2027, caso a proposta avance.

Até lá, será necessário definir o formato da política, sua abrangência territorial, as fontes de financiamento e os instrumentos legais necessários à implementação.

A medida integra um conjunto de iniciativas anunciadas pelo governo durante a campanha presidencial.

Entre elas estão ações relacionadas ao Bolsa Família, ao programa Desenrola 3.0, voltado à renegociação de dívidas, e ao Prospera MEI, direcionado aos microempreendedores individuais.

No caso do transporte público, a proposta busca associar a política de mobilidade urbana à ampliação do acesso ao lazer e à convivência familiar.

A gratuidade, entretanto, ainda não está em vigor e dependerá de decisões orçamentárias e administrativas.

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