O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve, na semana passada, um telefonema sigiloso com Nicolás Maduro, segundo informações obtidas por Janaína Figueiredo, em O Globo. Foi a primeira conversa classificada como “amistosa” entre ambos em muito tempo, marcada por tom cordial e troca de avaliações sobre a tensão crescente no Caribe.
Fontes oficiais afirmam que Lula demonstrou preocupação com o “assédio militar” dos Estados Unidos na região e reiterou disposição para atuar como mediador. Maduro, porém, não mencionou os ultimatos feitos por Donald Trump para que deixe o poder.
Conversa ocorreu após ligação entre Trump e Maduro
O contato foi realizado logo depois da conversa telefônica entre Trump e Maduro, em 21 de novembro. De acordo com interlocutores em Brasília e Caracas, o governo brasileiro considerou importante estabelecer comunicação direta em um momento em que a Venezuela se aproxima dos EUA em meio à crise política.
A análise também levou em conta a recente visita de Joesley Batista a Caracas. Embora o Planalto negue envolvimento, a ida do empresário à capital venezuelana teria sido um dos fatores ponderados antes da retomada do diálogo entre Lula e Maduro.
Conjuntura geopolítica ampliou preocupação do Planalto
A movimentação internacional em torno da Venezuela inclui ainda o telefonema oficial entre Maduro e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, no último fim de semana. Ambos discutiram a escalada militar americana no Caribe e os impactos globais da crise.
No caso brasileiro, porém, o contato não foi divulgado devido à sensibilidade do tema. O governo segue sem reconhecer Maduro como presidente legítimo após as denúncias de fraude nas eleições de 28 de julho de 2024. Ainda assim, Brasília mantém relações bilaterais e monitora com atenção o risco de instabilidade regional caso os EUA adotem ações militares contra o país vizinho.






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