Projeto Praça Onze Maravilha prevê prédios de 30 andares e acende alerta sobre impacto na paisagem do Rio

Proposta combina novos empreendimentos, preservação histórica e debate sobre impactos urbanos na área da Sapucaí

A reconfiguração urbana prevista para a região da Praça Onze, no entorno da Marquês de Sapucaí, deve provocar transformações significativas na paisagem e na dinâmica do centro do Rio, informa o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. O projeto em discussão propõe uma ocupação mais intensa do território, mas tenta equilibrar crescimento imobiliário com diretrizes de preservação histórica e ambiental.

A concepção original do plano prioriza a criação de lotes menores, organizados de forma a garantir ventilação e circulação de ar entre as edificações. A proposta também respeita as diretrizes das Áreas de Proteção do Ambiente Cultural (APAC), com variações de altura pensadas para dialogar com o entorno, especialmente nas regiões de transição entre Santa Teresa e Catumbi, conhecidas pela presença de construções do século XIX.

Equilíbrio entre densidade e preservação

No desenho inicial, os edifícios foram planejados com fachadas mais estreitas e alturas que variam entre sete e 30 andares. As construções mais altas ficariam concentradas ao longo da Avenida Presidente Vargas, enquanto as áreas internas manteriam uma escala mais baixa, buscando evitar a formação de grandes blocos contínuos que comprometam a paisagem.

A preocupação com o impacto visual e histórico é um dos pontos centrais do debate. Críticos do modelo mais adensado alertam para o risco de descaracterização do conjunto arquitetônico existente.

“Esse paredão compromete um conjunto arquitetônico do século XIX único no Brasil. Nossa paisagem natural é um dos ativos mais poderosos da cidade e merece mais cuidado e atenção”, afirma Azevedo.

Potencial construtivo e novos usos

O projeto prevê a construção em uma área de aproximadamente 315 mil metros quadrados. A estimativa é de que o espaço possa abrigar cerca de quatro mil unidades habitacionais, além de empreendimentos comerciais, ampliando o uso misto da região.

A proposta se insere em uma estratégia mais ampla de reocupação do centro, com o objetivo de estimular moradia, comércio e serviços em áreas hoje subutilizadas. A expectativa é que o adensamento contribua para revitalizar o entorno da Sapucaí, tradicional palco do carnaval carioca, mas que enfrenta desafios urbanos fora do período festivo.

Debate público e próximos passos

O avanço do projeto deve intensificar o debate entre especialistas, moradores e representantes do poder público. Uma audiência pública está marcada para o dia 6, no Circo Crescer e Viver, onde serão discutidos os impactos e possíveis ajustes na proposta.

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