Antiga Pro Matre dará lugar ao centro cultural Rio-África; vídeo

Projeto Praça Onze Maravilha prevê transformar o prédio histórico em espaço cultural até 2028

O prédio que abrigou a maternidade Pro Matre por quase nove décadas, entre 1919 a 2009, na Avenida Venezuela, na Praça Mauá, ganhará uma nova função. O imóvel, que será demolido nesta sexta-feira (21), vai ser transformado no Rio-África, um centro cultural voltado a celebrar e preservar as diversas expressões da diáspora africana. A Zona Portuária do Rio terá bloqueios de trânsito.

A criação do espaço integra o programa Praça Onze Maravilha, anunciado pelo prefeito Eduardo Paes nesta quinta-feira (20), durante as comemorações do Dia da Consciência Negra, realizadas na quadra da Estácio de Sá.

“Nesse dia nacional da consciência negra, dia de zumbi, a gente tem a responsabilidade de estar altura do presente, do legado de uma cidade que canta e conta suas histórias. Uma nova raça teremos. A profecia de Grande Otelo, Herivelto e Elisa, é ver a alma encantada das ruas. A missão de investirmos na Praça XV, no Sambódromo, nesta região, que também é pequena África”, disse o prefeito.

A mestre de cerimônia do evento foi a atriz Elisa Lucinda. Entre os convidados, estava a escritora Conceição Evaristo, além de sambistas, produtores culturais, secretários municipais e políticos. Os shows ficaram por conta da bateria da Estácio de Sá e do grupo Trio Júlio.

A antiga Pro Matre havia sido adquirida pela construtora Cury, que pretendia erguer um empreendimento residencial no local.

O plano, no entanto, foi barrado pelo Iphan, devido à proximidade com o Cais do Valongo, patrimônio da humanidade e marco da memória da população negra no país. Com o veto, o terreno foi cedido ao município, que pretende inaugurar o Rio-África até 2028.

Trânsito

As interdições começam cedo, às 6h, e seguem até 11h, afetando trechos das principais vias da região.

O esquema especial é coordenado pela CET-Rio, segundo o Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura (COR-Rio), e inclui mudanças de sentido, proibições de estacionamento e rotas alternativas para reduzir os impactos no tráfego.

Sexta-feira (21), das 6h às 11h

Interdições:

  • Av. Venezuela — trecho entre Rua Souza e Silva e Rua Tia Ciata
  • Av. Barão de Tefé — trecho entre Rua Carlos Gomes e Rua Sacadura Cabral
  • Rua Coelho e Castro — trecho entre Av. Barão de Tefé e Rua Aníbal Falcão

Mudança de sentido (mão dupla):

  • Rua Sacadura Cabral — entre Rua Souza e Silva e Av. Barão de Tefé

Desvios e rotas alternativas

Durante a operação, o fluxo da Avenida Venezuela com destino à Avenida Barão de Tefé será desviado pelas ruas Souza e Silva e Sacadura Cabral, que funcionará temporariamente em mão dupla.

Rotas recomendadas

Para a Candelária: utilizar a Avenida Francisco Bicalho
Para a Presidente Vargas: seguir pela Av. Professor Pereira Reis → Praça Santo Cristo → Av. 31 de Março.

Proibição de estacionamento

De quinta (20) às 19h até sexta (21) às 11h:

Av. Venezuela — trecho entre Rua Souza e Silva e Rua Tia Ciata
Av. Barão de Tefé — trecho entre Rua Carlos Gomes e Rua Sacadura Cabral
Rua Coelho e Castro — entre Av. Barão de Tefé e Rua Aníbal Falcão
Rua Sacadura Cabral — entre Rua Souza e Silva e Av. Barão de Tefé (lado esquerdo)

Celebrações

Pela manhã, o Centro do Rio estava tomado por celebrações ligadas à data. A região da Pequena África recebeu várias atividades. Da Praça Onze ao Largo da Prainha, passando pelo Cais do Valongo, a área foi tomada por cortejos, apresentações, feiras e rituais.

Após a cerimônia, o prefeito Eduardo Paes, o vice-prefeito Eduardo Cavaliere e o arquiteto Francis Kéré caminharam até o Centro de Artes Calouste Gulbenkian.

O grupo foi acompanhado pela Bateria da G.R.E.S. Estácio de Sá no trajeto que passou por dentro do Sambódromo. Ao chegar no Calouste Gulbenkian, encontraram com a concentração do tradicional Cortejo da Tia Ciata, onde aconteceu uma troca das baterias. O cortejo saiu do local, passando pela Avenida Presidente Vargas em direção ao Monumento Zumbi dos Palmares, onde aconteceu a dispersão.

No local aconteceu uma feira de empreendedores negros, que reuniu marcas de moda, literatura, arte e artesanato, acompanhada de uma programação artística que contou com apresentações dos blocos Òrúnmilá e Filhos de Gandhi.

À tarde, mulheres negras com atuação destaque na luta antirracista foram homenageadas. Entre elas estava Selminha Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor de Nilópolis.

No Cais do Valongo, ponto de chegada de africanos escravizados no Rio, o grupo Macumba Carioca promoveu mais um momento de celebração e memória.

Praça Onze Maravilha

Minutos antes, havia sido apresentado o programa Praça Onze Maravilha, que inclui R$ 1,75 bilhão em investimentos via parceria público-privada.

Entre as intervenções previstas estão a demolição do Viaduto Trinta e Um de Março e a criação da Biblioteca dos Saberes, novo equipamento cultural previsto para a região.

Eduardo Paes anuncia o projeto | Beth Santos/ Prefeitura do Rio

“Nosso plano urbano para o entorno do Sambódromo propõe requalificar a área a partir da demolição do Elevado 31 de Março, um viaduto construído na década de 1960, parte de uma paisagem urbana que se espalhou pela cidade neste período: as vias expressas, avenidas de alta velocidade cruzando a cidade em áreas urbanisticamente consolidadas”, revelou o arquiteto Rodrigo Azevedo, responsável pelo projeto Boulevard do Samba e que também esteve na apresentação do Praça Onze Maravilha.

O projeto inclui abertura de novas vias e a implantação de um mergulhão entre as ruas Frei Caneca e Salvador de Sá, com a criação de uma praça sobre a estrutura. A intervenção facilita os acessos entre os bairros e simplifica os deslocamentos na região.

No entorno da Marquês de Sapucaí, as calçadas serão mais largas e permeáveis, com melhorias na drenagem, nova iluminação e mais áreas verdes.

O Sambódromo permanece preservado em sua estrutura, porém com acessos modernizados e suporte logístico mais eficiente, tanto no período do Carnaval quanto no dia a dia. Áreas, hoje, subutilizadas serão ocupadas por novas unidades residenciais, com comércio e serviços no térreo. Essa reocupação reforça a integração com o Centro e ajuda a criar uma região mais viva.

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